Minas não manda projetos e espera verbas contra o crack

Expectativa é de receber R$ 60 mi e adotar a internação 24 horas por dia

FOTO: DANIEL IGLESIAS - 17.6.2011
Atendimento. Locais de uso de crack conhecidos como cracolândias irão receber consultórios de rua
OtempoOnline
Diferentemente de outros três Estados que já assinaram acordo com a União para colocar em prática o Plano Nacional de Combate ao Crack e Outras Drogas, o governo mineiro ainda não apresentou projeto aos ministérios da Saúde e da Justiça para que parte dos recursos federais, orçados em R$ 4 bilhões para todo o país, também seja destinada a Minas. A previsão da Subsecretaria de Políticas sobre Drogas (Supod), ligada à Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), é entregar a proposta na próxima semana.

A expectativa do Estado é receber R$ 60 milhões para ações de combate ao crack, conforme informou ontem o subsecretário de Políticas sobre Drogas, Cloves Benevides. Enquanto o projeto não for apresentado, não há liberação de verba, que já está disponível desde 7 de dezembro do ano passado, quando o plano nacional foi lançado pelos ministérios.
Apesar da demora, Benevides explicou que o governo mineiro está dentro do prazo de planejamento estabelecido pela União, mas não confirmou até quando Minas poderá concluir o projeto. Em janeiro, o subsecretário havia dito que a prioridade do governo naquele momento era colocar em prática projetos do Estado contra o crack, que não dependiam de verba federal. Ontem, Cloves Benevides informou que, desde o anúncio do plano, Minas vem se empenhando no projeto, com a elaboração de estudos e metas.

Uma das propostas do Estado é dobrar o número de Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (Caps-ad), conforme incentivado pelo governo federal. Atualmente, existem 20 unidades espalhadas na região metropolitana e no interior. As unidades prestam atendimento ambulatorial e psicossocial a dependentes químicos durante o dia. À noite, os pacientes são liberados. "Além de pleitear mais 20 Caps-ad para Minas, queremos habilitar algumas unidades para funcionamento 24 horas por dia", disse o subsecretário. Benevides não adiantou outras metas. O modelo de atendimento, no entanto, é bastante criticado por especialistas. 

O Plano Nacional de Combate ao Crack e Outras Drogas inclui a criação de consultórios de rua nas cracolândias e também a internação, feita mediante laudo médico, mesmo que contra a vontade do usuário. O governo mineiro, que sempre se mostrou resistente à proposta, começa a estudar a prática. "Estamos em discussões com o Ministério Público e outros órgãos para estudar de que forma essa internação pode ser implantada".
Envie perguntas
Portal. O ex-subsecretário de Estado de Defesa Social Luis Flávio Sapori responderá a perguntas de internautas sobre violência em Minas, em um videochat, hoje, às 11h, em O TEMPO Online(www.otempo.com.br).

REMODELAGEM
Abordagens de usuários não são feitas

O projeto Aliança pela Vida, uma das principais ações do governo mineiro no combate ao crack, está parado em Minas desde dezembro, de acordo com o subsecretário de Políticas sobre Drogas, Cloves Benevides. A justificativa, segundo ele, é que o programa passa, atualmente, por um replanejamento e será retomado em abril.

O Aliança pela Vida ofereceu atendimento ao usuário e à família. Dos 207 viciados abordados entre agosto e dezembro, 178 aceitaram se submeter ao tratamento. "Fizemos um projeto-piloto e, agora, estamos trabalhando para que ele seja permanente", disse Benevides. (LC)
Senador quer explicações
Brasília. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) ocupou ontem a tribuna do Senado para reclamar da suspensão da liberação dos R$ 120 milhões para construção de 218 UPPs que haviam sido prometidas para Minas.

O senador afirmou que vai oficiar ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pedindo informações sobre a suspensão dos recursos.

R$ 120 MILHÕES
MG afirma que não sabia de intenção do ministério
Após o Ministério da Justiça informar ontem – em reportagem de O TEMPO – que os R$ 120 milhões destinados às criações das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) seriam remetidos a projetos de combate ao crack, o subsecretário de Políticas sobre Drogas, Cloves Benevides, viajou a Brasília para pleitear os recursos. Segundo ele, o anúncio do ministério é uma novidade para o governo mineiro, que não havia sido comunicado oficialmente.

Enquanto o dinheiro não sai, familiares dos dependentes químicos sentem na pele a necessidade de investimentos que possam melhorar o atendimento aos usuários de drogas. Uma das deficiências apontadas é a falta de leitos no SUS para tratamento dos usuários. 

Atualmente, há 1.550 vagas em hospitais, sendo 1.300 focadas no tratamento psiquiátrico e outras 250 que fazem o atendimento de urgência e emergência. "Esse número precisa aumentar em pelo menos 30%. Não é o ideal, mas é o razoável no momento. A melhora é gradativa", afirmou o subsecretário.

O presidente da ONG Defesa Social, Robert William, alerta para a ampliação emergencial do número de leitos. "Estudo feito pelo ONG mostra que Belo Horizonte tem 144 mil usuários de crack. A demanda é muito grande". (LC)

COMBATE AO CRACK
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