PF tem que correr contra o tempo para a Copa de 2014

Corporação só consegue formar 1,1 mil policiais por ano e recorre a terceirizados para áreas administrativas
Congresso em Foco
O recém-lançado edital para o concurso da Polícia Federal foi muito comemorado pelos concurseiros que esperavam há dois anos por vagas para agentes e há oito anos para papiloscopista. Apesar do número significativo de 600 oportunidades, a corporação ainda está longe de contar com o efetivo necessário para encarar todas as atribuições atuais e crescentes até a Copa do Mundo de Futebol, em 2014.
O coordenador de Recursos Humanos da PF, Jorgeval Silva Costa, admitiu que, nos dois próximos anos, serão necessários 4.174 policiais federais para atenderem às demandas e que, por ano, só é possível formar, no máximo, 1,1 mil novos servidores na academia da corporação. No cenário ideal, não passariam de 2,2 mil profissionais prontos para irem para ruas no prazo que antecede ao campeonato mundial.

Em julho do ano passado, já era grande a expectativa da iminente liberação de cerca de mil vagas. A permissão do Ministério do Planejamento de 1,2 mil oportunidades só foi liberada em dezembro e, a partir de então, uma correria interna garantiu que os processos seletivos para metade das chances estivessem nas ruas 90 dias depois. A outra metade ainda deve esperar mais alguns meses para publicação dos editais.
Com metade do efetivo ideal, o comando da PF precisará usar de criatividade e dedicação para evitar problemas nas atividades diárias e nos eventos esportivos esperados. Uma das alternativas será deslocar parte daqueles que têm trabalho administrativo para atendimento. Ai está mais um gargalo: não há concurso para esses cargos desde 2004 e a curva de terceirizados é crescente.
As denúncias de terceirização e desvios de funções são constantes por parte do Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal (Sinpecpf), que representa exatamente as funções administrativas. A entidade afirma que os funcionários contratados atuam como servidores em várias áreas, como nos aeroportos. O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro está investigando denúncias a respeito do caso.
Os servidores defendidos pelo Sinpecpf aguardam desde 2007 o cumprimento de um acordo firmado com o Planejamento que foi reiterado ano passado, mas ainda não saiu do papel. Restam aos concurseiros se empenharem nos estudos em busca da aprovação, aos concursados paciência diante das escolhas políticas e gerenciais voltadas para a Polícia Federal e, claro, aos cidadãos, a indignação e quebra de credibilidade em uma entidade tão importante e estratégica para o país.

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