BH registra 13% mais homicídios no 1º trimestre de 2012


Polícias Civil e Militar lançam 'Força-Tarefa de Proteção à Vida' na tentativa de aplacar esta escalada da violência
LUIZ COSTA
sao gabriel comercio
Comércio do bairro São Gabriel é alvo constante de ataques criminosos
A explosão de violência ocorrida no primeiro trimestre deste ano em Belo Horizonte, materializada em 207 homicídios, uma média de 2,2 por dia, acendeu o sinal de alerta na Secretaria de Estado da Defesa Social (Seds) e, consequentemente, nas cúpulas das polícias Civil e Militar. Os assassinatos ocorridos nos 91 dias entre 1º de janeiro e o fim de março representam 13% a mais sobre os 183 ocorridos no mesmo período de 2011 na capital mineira.

Alarmadas pela escalada da violência, as duas corporações lançam as 9h30 desta quarta-feira (4) a chamada “Força-Tarefa de Proteção à Vida”, na Rua Circular (Campo do Saga), no bairro São Gabriel, na região Nordeste, próximo à delegacia da Polícia Civil.

O lançamento da operação é emblemático, uma vez que na segunda-feira (2) um triplo homicídio foi registrado na região. Uma garota de 14 anos e dois jovens de 16 foram executados a tiros por dois homens em uma motocicleta. O crime ocorreu no local conhecido como “Beira Linha”, notório ponto de tráfico no bairro Dom Silvério, divisa com São Gabriel. Duas horas depois, dois homens de 28 e 35 anos, foram assassinados a socos e pontapés no bairro São Geraldo, na região Leste.

O comércio do bairro São Gabriel também sofre com assaltos, conforme o Hoje em Dia mostrou na edição do último sábado (31). Em um documento conjunto divulgado nesta terça-feira as duas corporações reconhecem a tendência de crescimento dos homicídios e apontam o consumo e o tráfico de drogas como causadores dos cinco assassinatos.

“Sem desconsiderar as graves deficiências sociais, dentre outras, que se apresentam como causas do problema e devem também ser alvos de intervenção, destacam-se o tráfico de drogas, o porte ilegal de armas e as ameaças de morte”, diz a nota.

Diante de um quadro desolador, as polícias pedem que a população denuncie os suspeitos de crimes ou situações criminosas pelo telefone 181. O denunciante não precisa se identificar nem fornecer qualquer referência de onde fala ou mora. Ele pode denunciar de qualquer ponto da cidade, até mesmo de um telefone público.

Nenhum representante da PM, da Civil ou da Secretaria de Estado de Defesa Social quis comentar o aumento dos homicídios. Mas com a força-tarefa, as duas corporações querem mudar esse cenário e criar uma espécie de rede de proteção à vida juntamente com os demais órgãos que integram o Sistema de Defesa Social e de Justiça Criminal, o Poder Público Municipal e toda a sociedade.

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