Casas do PAC acumulam lixo e viram boca de fumo em Belo Horizonte

Obras inacabadas do Vila Viva, que têm metade dos recursos federais, viram problema na Pedreira Prado Lopes
Danilo Emerich - Do Hoje em Dia
Um canteiro de problemas se formou nas obras do Vila Viva Pedreira Prado Lopes, no bairro Santo André, na região Noroeste de Belo Horizonte. Os conjuntos habitacionais em construção há pelo menos seis anos deveriam ter sido entregues no mês passado, mas se tornaram uma ameaça à saúde e à segurança pública. Os prédios agora servem de motel, banheiro, boca de fumo, depósito de lixo, moradia de mendigos, bichos e vetores de doenças, esconderijo para bandidos e um perigoso “playground” para crianças.

O local, entre as ruas Serra Negra e Pedro Lessa, era uma favela, que foi demolida para dar espaço ao programa de urbanização da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), com recursos federais, estaduais e municipais, na ordem de R$ 60 milhões, sendo R$ 34,7 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Só na rua Roseiral, oito blocos – formados por oito apartamentos, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro cada– foram entregues para famílias credenciadas. Outros cinco foram inaugurados, mas ainda estão desabitados e sofrem com a depredação. Além desses, oito prédios estão em construção.
O problema começa nos edifícios habitados. Entregues há dois anos, alguns moradores são antigos desapropriados da avenida Antônio Carlos, como a dona de casa Marina Lopes, de 40 anos. Ela lembra que, quando se mudou para o local, o apartamento não tinha piso e o térreo do prédio não tinha escoamento de água. “Quando chovia, inundava, pois não tinha ralo. Abrimos um buraco na parede para ajudar. Minha qualidade de vida era melhor antes”, diz Marina, perto da escada que já apresenta rachaduras.

Do lado de fora, nenhuma lixeira foi instalada para os moradores, que depositam o lixo na rua, provocando mau cheiro no local. Além disso, bueiros sem tampas são um risco para veículos e pedestres. O bombeiro hidráulico Rafael Claudino de Assis, de 24 anos, já caiu com sua moto em um dos buracos, agora tapados com uma tábua. “Só tive escoriações, mas não fui o primeiro. Só arrumaram esse lugar na inauguração, quando o prefeito veio”, reclama.

Enquanto isso, os blocos inaugurados em dezembro ainda não foram ocupados. O presidente da Associação Comunitária do Bairro Santo André, Jairo Nascimento Moreira, denuncia o vandalismo e o furto de fiações. Do outro lado da rua, a obra aparenta estar abandonada. Nenhum muro ou tapume cerca o lugar. Poucos trabalhadores da construtora responsável, a Melo Azevedo, trabalham ali, mas só desmontando andaimes.

“As janelas, ferragens e materiais de construção são roubados frequentemente. Além disso, os entulhos atraem bichos, como escorpiões, cobras, ratos, baratas, e na época de chuva, o mosquito da dengue”, declara.

A entrada livre ao local, até para crianças que brincam entre as ferragens expostas evidenciam o abandono. Na manhã desta quinta-feira, em um dos blocos inacabados, quatro homens fumavam maconha no local. Eles confirmaram que vão ali com frequência. Dentro dos apartamentos, são poucos os cômodos que não têm camisinhas usadas ou fezes no chão.

Vizinho da obra, o técnico em eletrônica José Arnaldo Pires, de 50 anos, revela que criminosos se escondem no lugar. “As pessoas fazem de tudo ali. Não deixo minhas filhas saírem na rua à noite pelo perigo. Dá medo”, conta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário