Descaso com vidas e com o dinheiro público em Belo Horizonte

Quarenta e cinco ambulâncias apodrecem em estacionamento particular na região da Pampulha
Patrícia Santos Dumont - Do Hoje em Dia
Quarenta e cinco ambulâncias estão paradas em um estacionamento particular na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Algumas, com licenciamento até 2009, estão inutilizadas há pelo menos três anos, conforme o site do Detran-MG. Expostos à ação do tempo, os veículos apresentam sinais de deterioração, como pneus murchos e para-choques quebrados.

As ambulâncias pertencem à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), segundo a TRD Serviços, que tem contrato com o município para prestar transporte na área de saúde. Como não podem mais ser utilizadas para essa finalidade, aguardam uma decisão municipal para receber outra destinação. A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou que apenas um dos carros pertence à prefeitura e que desconhece a procedência dos demais.

Entretanto, no estacionamento Time Park, que fica na avenida Portugal, no bairro Santa Amélia, é possível encontrar pelo menos duas ambulâncias com o emblema da PBH. Segundo o gerente regional da TRD Serviços, Alan Rodrigues, cinco dos 45 veículos pertencem à PBH. Os demais eram utilizados pelo município a partir de um contrato firmado com a empresa.
“As ambulâncias estão guardadas porque, pelo tempo de uso ou quilometragem, não podem mais ser utilizadas para transportar pacientes. Assim que a prefeitura disponibilizar um espaço para recebê-las, passarão, definitivamente, a pertencer ao município de Belo Horizonte”, explica Rodrigues. Enquanto isso, os veículos apodrecem no estacionamento.

De acordo com o Ministério da Saúde, as ambulâncias devem ser substituídas a cada cinco anos de uso ou quando atingirem 300 mil quilômetros rodados. Desde a implantação do Programa Samu 192, em 2004, 245 veículos foram doados pelo ministério ao Estado.

O diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), Renato Barros, critica a situação. “É lamentável que estejamos vivenciando isto, um Estado que é regulador do sistema e que não consegue redistribuir ou regular a distribuição dentro da sua responsabilidade sobre as ambulâncias adquiridas com dinheiro público. O preço tem sido muito alto para a sociedade, que carece do serviço. E nós estamos assistindo ao apodrecimento dessas ambulâncias, que não tiveram uma destinação em prol da população”, afirma.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou, por meio da assessoria de imprensa, que não possui nenhum galpão, estacionamento ou garagem no local mencionado. Também declarou que três veículos, cujas placas foram informadas pela reportagem à SES, não pertencem ao Estado. Apesar disso, no local há ambulâncias identificadas com adesivos do governo de Minas.

Há uma semana, o Hoje em Dia mostrou o descaso com uma ambulância da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig). O carro estava estacionado, há cerca de seis meses, no passeio de entrada do Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII, no bairro Santa Efigênia, Leste de BH. O Fiat Doblò, placa HNH 1020, fabricado em 2010, estava equipado com toda a aparelhagem necessária para o transporte de pacientes, incluindo rádio, macas e cilindros para oxigênio. Ele só foi retirado do local no dia seguinte à publicação da matéria.

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