Oito crimes violentos por hora desafiam a polícia mineira


Autoridades lançam força-tarefa para tentar coibir ação de bandidos e reforçam apelo por denúncias da população
Danilo Emerich - Do Hoje em Dia
A cada hora, pelo menos oito crimes violentos, como assassinatos, tentativas de homicídio, sequestros, latrocínios, estupros ou assaltos à mão armada são registrados em Minas Gerais. Neste ano, foram 5.758 ocorrências por mês, mil a mais do que a média de 2011. Se o ritmo for mantido até dezembro, a violência no Estado subirá pela segunda vez consecutiva, crescendo 18% em comparação ao ano passado. Na tentativa de frear os bandidos, a nova estratégia das autoridades mineiras é incentivar a participação popular nas denúncias, com o lançamento da “Força-Tarefa de Proteção à Vida”.

Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), no primeiro trimestre deste ano houve 17.276 registros de crimes violentos. No entanto, é importante ressaltar que o número de ocorrências varia a cada mês. Somente na madrugada desta quarta-feira, três pessoas foram assassinadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A secretaria não divulgou as estatísticas referentes somente aos três primeiros meses de 2011. Ao longo do ano passado, foram 56.593 crimes, o que representa 4.716 ocorrências violentas mensais. Os dados assustam ainda mais se comparados aos de 2010, quando a média foi de 4.218.
A tática do governo do Estado para reverter a situação foi anunciada nesta quarta-feira, mas terá caráter permanente. O lançamento da “Força-Tarefa de Proteção à Vida” foi feito no Campo do Saga, na divisa dos bairros São Gabriel e Dom Silvério (Nordeste), em Belo Horizonte. O local foi escolhido por ser a região com mais de vítimas de homicídios, neste ano, na capital, e também devido a um triplo assassinato de adolescentes em 2 de abril.
Após a solenidade, centenas de policiais militares e civis cumpriram dez mandados de prisão e de busca e apreensão nas regiões Noroeste, Leste e Nordeste de BH. A ação resultou em dois homens presos e em três menores apreendidos, todos envolvidos com assassinatos e tráfico de drogas. Além disso, foram recolhidas quatro armas de fogo, munições, drogas, material para dolagem (embalar drogas), facas e balança de precisão, dinheiro, celulares, um colete à prova de balas, máscaras, computadores e câmeras fotográficas.
Segundo o secretário-adjunto da Seds, Robson Lucas, o plano busca uma resposta para o aumento da criminalidade. Ele diz que a força-tarefa atuará em várias frentes, como prevenção ostensiva, investigação, repressão qualificada, ações de educação e promoção social. Também buscará a sensibilização da comunidade para usar o Disque-denúncia Unificado (DDU), pelo telefone 181. “É uma ação permanente, que é fruto do trabalho de integração entre as polícias”, diz.
Para o chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Rogério Andrade, a força-tarefa não é uma operação tradicional de “buscar o bandido”, mas de ir até o jovem e incentivá-lo a se afastar do crime. 
Ele adiantou que, em breve, o modelo adotado pelo Grupo Especializado em Áreas de Risco (Gepar) será expandido para toda a cidade. “Intensificamos o policiamento nessa região, mas é preciso que a população denuncie os crimes, uma vez que a ligação para o disque-denúncia pode salvar vidas”.



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