Propina do bicho a policiais chega à casa dos R$ 15 mil

Pagamento era feito semanalmente para que bicheiros pudessem operar o jogo e os caça-níqueis com liberdade
Amália Goulart - Do Hoje em Dia
Contraventores pagam a policiais propinas de cerca de R$ 15 mil, mais ‘agrados’ semanais, para que eles permitam a exploração de máquinas caça-níqueis e jogo do bicho. A informação foi repassada por dois policiais militares aos oficiais superiores, durante depoimento em Inquérito Policial Militar (IPM), aberto em Juiz de Fora para investigar a atuação dos bicheiros.

São várias as formas de lucrar com os contraventores, segundo a denúncia. Além da propina, quando tinham que realizar operações policiais, os militares avisavam aos contraventores para que deixassem pouco material nos locais. E as máquinas apreendidas tinham as placas de funcionamento devolvidas aos proprietários. Cada uma poderia custar, conforme o policial, até R$ 500.

Como mostrou o Hoje em Dia, comandantes da PM e integrantes da Polícia Civil são acusados de receber propinas de bicheiros na Zona da Mata. As acusações também envolvem juízes.

Policiais que denunciam o esquema contaram que sofreram ameaças de morte, após recusar oferta para entrar na quadrilha. Segundo um deles, inicialmente, lhe foi ofertada a quantia de R$ 15 mil. “Indivíduos se diziam estar representando os donos das lojas de caça-níqueis e solicitavam que deixasse todo o material, oferecendo quantias altas, como R$ 10 mil, R$ 15 mil”, disse o denunciante.
O policial disse que o acusado de contravenção, Frederico Arbex, lhe confirmou, em uma operação, que tinha informações sobre todas as batidas policiais realizadas em suas lojas. Arbex se diz ex-bicheiro e nega o pagamento de propina. Ele ainda sustenta que é empresário, tendo lanchonete até em Belo Horizonte.

Para mascarar o esquema, a PM tinha que fazer algumas operações. Nesses casos, o bicheiro era acionado. “Ele (Frederico) disse que tinha alguns amigos na P2 (polícia secreta da PM) que o avisavam quando as denúncias contra as suas lojas chegavam lá. Assim, poderia deixar pouco material no local ou sair fora e impedir que alguém fosse preso, caso se deparasse com alguma operação mais urgente”, afirmou o militar em outro depoimento ao Ministério Público e Comissão de Direitos Humanos da Assembleia.

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