Propina envolve filho de subcorregedor geral da Polícia Civil

Rômulo Dangelo é acusado de ser um dos bicheiros que pagam comissões aos policiais em Juiz de Fora
Amália Goulart - Do Hoje em Dia
O filho do subcorregedor geral da Polícia Civil em Minas Gerais, Élder Dangelo, é acusado de ser um dos bicheiros que pagam propina a policiais civis e militares para permitir em funcionamento o esquema do jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis. Conhecido como “Rominho”, o filho da autoridade chegou a ser preso em um salão onde havia 40 máquinas de caça-níquel. Porém, foi liberado por um dos delegados denunciados por participação na quadrilha da jogatina em Juiz de Fora, na Zona da Mata.

Conforme informou o Hoje em Dia, contraventores estariam aliciando policiais, mediante o pagamento de propina, para que não atrapalhem os negócios dos bicheiros. Entre os acusados de envolvimento estão coronéis e juízes. As denúncias são de policiais que se recusaram a participar da divisão do dinheiro.
Em um dos depoimentos prestados à Corregedoria, um deles revela que o suspeito de contravenção “Rominho” é filho do subcorregedor, já tendo sido preso em uma operação contra o jogo do bicho. “Que Rominho é filho de um delegado da Corregedoria de Minas e durante a ocorrência disse que jamais havia imaginado que alguém entraria em sua loja da forma em que ocorrera e o prenderia”, afirmou o militar. Durante a operação, os militares encontraram cerca de 40 máquinas caça-níqueis em funcionamento.

Os equipamentos e o dinheiro contido neles foram encaminhados, junto ao acusado de contravenção, à delegacia de plantão. Policiais contaram que, “para surpresa” de todos, não foram os oficiais do plantão os responsáveis pela ocorrência. “Um detetive levou Rominho, que estava preso, e o dinheiro apreendido para a sala do delegado Camarota”, alegou o policial. O delegado em questão é Fernando Camarota Filho, acusado de receber propina de bicheiros, em especial Frederico Márcio Arbex. Os policiais foram dispensados pelo delegado, sem explicações. Um deles disse que obteve informações de que “Rominho” falava da polícia com ironia e pagava aos militares. “Ele estaria zombando da ação da equipe, dizendo: ‘não tenho com o que me preocupa, pois tenho o controle das informações via policiais militares’”, afirmou.

As corregedorias das polícias alegam que apuram as acusações envolvendo membros das corporações. O subcorregedor Élder Dangelo confirmou a prisão do filho por suspeitas de envolvimento com o jogo. Ele negou que tenha interferido no procedimento policial. Disse que Rômulo telefonou para ele da delegacia, afirmando que havia sido detido e alegando que não tinha ligação com o bicho. “Eu disse à autoridade policial para tomar todas as providências. Ele responde por todos os atos errados que porventura tiver. Se está devendo, que a Justiça cobre dele. Não acoberto esse tipo de coisa. Tem que tomar providência, sim. É maior de idade e meu filho por circunstância espiritual, não respondo por ele”, afirmou o subcorregedor. O delegado Camarota não foi encontrado.

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