Servidor conta à polícia que prefeito sacou arma outra vez

Marcelo Uberaba, prefeito de Paraopeba, volta a ser denunciado por intimidação com revólver
ARQUIVO HOJE EM DIA - 11/07/2011
Marcelo Uberaba
Rixa política entre Marcelo Uberaba e servidor volta à delegacia
A rixa política entre o prefeito de Paraopeba, Marcelo Carvalho da Silva, o Marcelo Uberaba (PSD), e o servidor concursado, Uilson de Campos Rocha, voltou a parar na delegacia da cidade oito meses depois do primeiro entrevero. Em julho do ano passado, o prefeito foi até a casa do desafeto, no Centro, e disparou três tiros, dois deles para o alto e um contra Uilson, e depois fugiu em um carro importado.

Na última quarta-feira, o mesmo servidor procurou a polícia para fazer outra queixa contra o prefeito Marcelo Uberaba que, desta vez, teria sacado o revólver para intimidá-lo. De acordo o relato registro em boletim de ocorrência, Uilson voltava da padaria, por volta das 15h30, quando parou na porta do seu local de trabalho para conversar com dois conhecidos, identificados como José Ronaldo Barbosa Benigno e Adilson Alves da Costa Figueiredo.
José e Adilson estavam dentro de um carro estacionado na praça da prefeitura. Marcelo Uberaba, segundo diz a ocorrência policial, apareceu logo em seguida dirigindo o veículo oficial da prefeitura, um Chevrolet Captiva.Ao se deparar com os três conversando, o prefeito teria descido do carro com uma máquina fotográfica na mão.

Depois de ter supostamente tirado as fotografias, o prefeito se dirigiu até o local de trabalho de Uilson, no setor de tributação da prefeitura, saindo de lá em pouco tempo.

Em seguida, voltou até ao carro para estacioná-lo em frente a Casa Paroquial, perto da prefeitura, a cerca de 50 metros do local onde estavam conversando Uilson, José e Adilson. Marcelo teria então descido da Captiva exibindo um objeto na mão que, segundo o relato policial, se parece uma arma de fogo. Depois de mostrar, ele guardou objeto na cintura.

“Às eleições estão chegando e o clima da cidade está ficando mais pesado a cada dia que passa. Evito alguns lugares e não fico até tarde na rua. Não sei se ele tem porte de arma. Estou com preocupado e com medo”, disse Uilson, em entrevista.

O servidor diz que passou a ser vítima de perseguição em função de ter denunciado irregularidades na administração de Marcelo Uberaba. Ele afirma que denunciou uma série de compras superfaturas pela prefeitura, especialmente no setor de peças e maquinário, que inclui a aquisição de uma única bateria pela quantia de R$ 1.800.

“Tenho medo de morrer, sim. Ele (prefeito) é poderoso e você sabe como funcionam as coisas no interior”, desabafou o servidor.

O episódio está sendo investigado pelo delegado da cidade, Francisco Nascimento Júnior, que também apurou a denúncia o caso dos disparos contra o servidor, em julho de 2011. Na época, foi divulgado que Marcelo Uberaba foi poupado da tentativa de homicídio, mas que seria indiciado pelo crime de disparo em via pública, o que não foi oficialmente confi
rmado.

Na última terça-feira (3), o Hoje em Dia tentou falar com o delegado Nascimento para saber se o prefeito possui autorização para andar armado. No entanto, um agente informou que ele não estava na delegacia e que, muito provavelmente, só retornará depois do ferido da Semana Santa, pois vai atender outras comarcas.

O prefeito Marcelo Uberaba também foi procurado em seu gabinete para conceder entrevista, mas até o fechamento desta edição não havia retornado aos telefonemas da reportagem. O secretário dele, Januse Rodrigues da Silva, deu uma gargalhada quando informado do teor da denúncia. “Você acredita nisso?”, questionou.

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