Atuação da BHTrans é criticada

Autarquia garante que cem agentes estavam nas ruas simultaneamente 
FOTO: SAMUEL AGUIAR - 8.5.2012
Fila quilométrica. Fluxo de veículos no Anel Rodoviário ficou retido após acidente com caminhão
OtempoOnline
Um dia depois de o trânsito na região Centro-Sul da capital parar - reflexo de um acidente corriqueiro no Anel Rodoviário, altura do bairro Buritis -, sobraram críticas à atuação da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), que não teria agido de maneira rápida. A autarquia garante que cem agentes trabalharam, simultaneamente, na terça-feira, em pontos estratégicos da cidade, para dar fluidez ao tráfego. Porém, quem chegou a passar até quatro horas no carro sem conseguir sair do lugar disse o contrário.

A empresária Carolina Penna Campos Abreu, 33, ficou retida na avenida Nossa Senhora do Carmo por quase duas horas. Ela afirmou não ter visto nenhum fiscal de trânsito. "Foi o caos. Quando a BHTrans está, fica ainda pior, porque parece que os agentes não têm preparo para organizar trânsito", disse ela, que faz o trajeto diário entre os bairros Sion, onde trabalha, e Buritis, onde mora.

O consultor de redes sociais João Marcelo Siqueira, 22, viveu situação ainda pior. Por quatro horas, ele ficou preso na alameda do Ingá, em Nova Lima, na região metropolitana. Após sair do trabalho, às 18h30, ele só conseguiu chegar em casa, no Buritis, às 22h40. "Geralmente, faço esse trajeto em apenas 20 minutos. Se eu tivesse ido a pé para casa, tinha chegado mais rápido", ironizou o rapaz, que também não presenciou agentes da BHTrans na rua.

Ontem, a indignação ganhou as redes sociais, em mensagens que questionavam a eficiência no gerenciamento do trânsito.

Para especialistas, são três as causas do nó ocorrido no trânsito de Belo Horizonte: a pouca eficiência na atuação de emergência por parte da BHTrans, o excesso de veículos nas ruas e a existência de poucas vias na cidade que façam ligação entre distintas regiões sem passar pelo centro.

"Belo Horizonte é carente de vias transversais. Hoje, se acontece um problema no Anel, a maioria das rotas alternativas leva ao centro, complicando toda a cidade", afirma o engenheiro civil e mestre em transportes Silvestre Andrade. O especialista entende ser necessária a construção de novas vias que contornem a capital ou então que liguem as regiões sem levar os veículos ao centro.

De acordo com o consultor em trânsito José Aparecido, a capital tem, atualmente, 150 pontos de gargalos. "Além de obras, a cidade precisa de uma boa gestão do trânsito, mas não vemos agentes nas ruas que saibam o que fazer para evitar que cruzamentos sejam fechados ou apresentem rotas alternativas. Falta um plano de emergência", criticou.

Muitos carros. Segundo o diretor de operação da BHTrans, Edson Amorim de Paula, os transtornos após o acidente no Anel Rodoviário, que aconteceu por volta das 17h30, foram causados porque grande parte dos 120 mil veículos que trafegam diariamente na rodovia se deslocou para o centro e bairros da região Centro-Sul. Isso, conforme Amorim, gerou um excesso de carros, que não tinham como se locomover.

Amorim explicou que, apesar de não ser de responsabilidade da BHTrans, por ser uma via gerenciada pela Polícia Militar Rodoviária Militar (PMRv), a autarquia demorou apenas 30 minutos para retirar o caminhão do Anel. No entanto, o fluxo de veículos já havia se complicado no restante da cidade.
Diretor de operação diz que o trânsito é um ‘sistema complexo’
O diretor de operação da BHTrans, Edson Amorim de Paula, diz que o trânsito é um "sistema complexo" em Belo Horizonte. "Assim como nas grandes cidades, está saturado. Quando há um problema, em qualquer ação de emergência que se faça, será necessário um tempo para ele se desfazer. As variáveis não respondem rapidamente ao que é feito", justificou Amorim. A frota da capital é de 1,4 milhão de veículos.

De acordo a BHTrans, os cem agentes do órgão que trabalharam no horário do acidente foram espalhados por pontos estratégicos da capital, para tentar dar fluidez ao trânsito. Amorin informou que os arredores do BH Shopping e o entorno das avenidas Afonso Pena (esquina com avenida Brasil e rua Timbiras), Nossa Senhora do Carmo, Contorno e Amazonas receberam o reforço.

Além dos agentes da BHTrans, outros 250 guardas municipais e policiais militares também atuaram. Para o comandante do Batalhão de Polícia de Trânsito, tenente-coronel Roberto Lemos, o evento foi atípico. (RR)

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