Presos pela Polícia Federal voltam à cena política mineira

Sem condenação, prefeitos suspeitos de envolvimento com a máfia do FPM vão se candidatar ou apoiar alguém
Tribuna de Minas/Arquivo
alberto bejani
Recém-filiado ao pequeno PSL, Alberto Bejani já avisou que vai tentar registrar sua candidatura
Os poucos dias de permanência na prisão, no já distante mês de abril de 2008, foram, até aqui, a única punição para os prefeitos detidos pela Operação Pasárgada da Polícia Federal. De lá para cá, os chefes de Executivo envolvidos com o esquema que desviou R$ 200 milhões do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) só colecionaram vitórias: mesmo indiciados pela PF, eles não foram denunciados formalmente pelo Ministério Público e, por conta disso, também não tiveram condenações na Justiça. De quebra, alguns foram reeleitos no mesmo ano da operação e, os que resolveram dar um tempo, neste domingo (27), ou são pré-candidatos, ou ocupam a honrosa posição de cabo eleitoral de luxo em seus municípios.

No dia 9 de abril de 2008, 14 prefeitos de Minas Gerais, além de dois da Bahia, foram parar na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, pelo envolvimento com o esquema de venda de sentenças judiciais comandado pelo lobista Paulo Sobrinho de Sá Cruz, o Paulinho da Status.


Para os mineiros, no entanto, o prejuízo de imagem com a detenção não foi suficiente para tirar o apetite eleitoral: sete deles são pré-candidatos este ano. Os demais, ou por impedimentos com a Justiça Eleitoral, ou por já estarem no segundo mandato, vão participar como fortes apoiadores na campanha.


A situação dos prefeitos contrasta com a dos outros acusados. Enquanto os políticos se livraram, o chamado núcleo do Judiciário e os responsáveis pelos escritórios de advocacia que operavam a fraude estão respondendo no Superior Tribunal de Justiça.


Apontado pela PF como o principal braço do grupo no Judiciário, o juiz titular da 12ª Vara Federal de Minas Gerais, Weliton Militão dos Santos, foi aposentado compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


A juíza federal Ângela Maria Catão até ganhou uma promoção. Tornou-se desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. Mas, posteriormente, tornou-se ré em ação penal do MP F e que foi acolhida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Seu colega, o desembargador Francisco de Assis Betti foi afastado liminarmente das funções pelo STJ. Também estão implicados com o STJ o oficial de Justiça Anibal Brasileiro da Costa, o ex-servidor da Justiça federal Wander Rocha Tanure, o ex-gerente da Caixa Econômica Federal Francisco de Fátima Sampaio de Araújo e o lobista Paulinho da Status.

Nenhum comentário:

Postar um comentário