Assassinato de crianças e adolescentes aumenta 376% em 30 anos no Brasil

Hoje em Dia
O número de homicídios no Brasil aumentou 259% em 30 anos, desde 1980. O crescimento, assombroso para um país que, nesse período, se alçou à condição de sexta economia do mundo, é ainda mais asssustador quando se vê que o percentual de crescimento do assassinato de crianças e adolescentes é bem maior (376%), de acordo com o “Mapa da Violência 2012 - Crianças e Adolescentes do Brasil”, divulgado ontem. O estudo analisa informações do Ministério da Saúde sobre as causas das mortes de pessoas com até 19 anos de idade, entre 1980 e 2010.


A pesquisa não revela o tipo de armas usadas, mas é possível que as armas de fogo predominem, embora desde 2003 vigore no país o Estatuto do Desarmamento e tenham sido realizadas campanhas nacionais para que as pessoas entreguem voluntariamente suas armas. A última foi lançada pelo Ministério da Justiça em maio do ano passado, um mês depois da tragédia da escola municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, quando 12 alunos foram mortos e 14 feridos por um atirador solitário.
Os dados da pesquisa mostram um país violento, em que crianças e adolescentes estão expostos a grandes riscos. Em 1980, representavam 11% do total dos homicídios. Trinta anos depois, chegou a 43%.

Apenas de 2000 a 2010, foram assassinados, em Minas, 7.277 crianças e adolescentes, dos quais 2.645 só na capital, onde em 2010 viviam pouco mais de 632 mil jovens. Considerando essa população e o número de homicídios, chega-se a uma taxa de 26,6, em Belo Horizonte. Com isso, ficou em 12º lugar entre as capitais mais perigosas para os jovens. Por incrível, BH é bem mais ameaçadora do que Rio e São Paulo, respectivamente em 21ª e 27ª posição.

Em 2010, existiam em Minas, além da capital, oito municípios com mais de 20 mil jovens e adolescentes.

Entre eles, as mais altas taxas ocorreram em Betim, Esmeraldas, Contagem e Vespasiano, com taxas entre 41,1 e 32,7.

Para combater o problema, não basta reforçar o policiamento. É preciso investir mais em educação. O Programa de Controle de Homicídios Fica Vivo, criado em 2003 pelo Governo de Minas, com apoio da UFMG e de prefeituras, tem seus méritos, mas os resultados são insuficientes. Nos primeiros sete anos, o Fica Vivo alcançou pouco mais de 50 mil jovens com idades entre 12 e 24 anos, que frequentaram, nos Núcleos de Prevenção à Criminalidade, 660 oficinas voltadas para esporte, cultura, comunicação e cursos técnico-profissionalizantes. É pouco.



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