Avenida Antônio Carlos vira área de perigo para pedestres

População pede passarela; obras e fluxo contribuem para insegurança

FOTO: FOTOS DOUGLAS MAGNO
Aviso. Com o registro frequente de acidentes, autoridades colocaram uma faixa na altura do bairro Lagoinha para alertar os pedestres

OtempoOnline
Internada em estado grave no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, Danielle Cristhine Gavião, 19, é mais uma vítima da avenida Antônio Carlos, uma das mais movimentadas da cidade e que tem sido palco constante de atropelamentos. No ano passado, pelo menos três pessoas foram atropeladas no local e, em 2010, outras quatro morreram. Em março, uma mulher de 45 anos perdeu a vida na avenida.

Um dos trechos mais perigosos da avenida é o que fica na altura do bairro Lagoinha, na região Noroeste. O fluxo de pedestres é grande, já que o local é cercado por duas faculdades e uma escola profissionalizante. Com quatro faixas de circulação, duas delas para veículos, os semáforos não são sincronizados, o que obriga o pedestre a ficar no meio do caminho, entre as pistas, esperando para atravessar. 



Obras. As intervenções na avenida para a implantação do Transporte Rápido por Ônibus (BRT) também contribuem para aumentar a insegurança de quem passa pelo local. E foram justamente as obras que provocaram o acidente com Danielle. Ela foi atropelada no último dia 3, após descer do ônibus, fora do ponto de parada, e percorrer um trecho interditado, sem calçada. Ela se desequilibrou ao tropeçar em um pedaço de madeira e caiu na pista. O motorista do ônibus não a viu. 

Danielle teve fraturas na perna e na pelve. "Ela sempre me falava do perigo da avenida. No dia do acidente, a enfermeira do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)disse que já tinha atendido pelo menos dez casos iguais ao dela, e a maioria resultou em morte", disse o namorado da estudante, Bruno Dias Carneiro, 25. 

O medo da repetição das tragédias levou estudantes e moradores a fazerem vários protestos pedindo a construção de passarelas. Segundo o arquiteto e urbanista do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), Lawrence Sorlla, a passarela seria uma solução. "A estrutura pode ser construída de forma a dar acesso à pista de ônibus e aos dois lados da avenida", disse. Mas, segundo a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), não há previsão de intervenção do tipo no local.

A reportagem esteve na avenida e constatou que muitos passageiros descem antes do ponto e passam pelo trecho interditado, tendo que se espremer entre os ônibus e a obra. Foi o caso do montador Jader de Oliveira, 29, que andou cerca de 30 m dessa forma. "Se tivesse passarela, ia ser bem melhor. O trânsito ia fluir, e os coletivos não iriam parar antes", disse.



João XXIII
Em 15 dias, nove morrem atropelados

Apenas nos primeiros 15 dias deste mês, 119 pessoas deram entrada no Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII, em Belo Horizonte, vítimas de atropelamentos. São quase oito acidentes por dia, em média. Desse total, nove morreram. 

Segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), [NORMAL_A]de janeiro a junho deste ano, foram 1.280 atendimentos a pessoas atropeladas no HPS, que resultaram em 63 mortes, quatro a mais que no mesmo período de 2011, com 59 óbitos em 1.385 internações. 

Os dados da Secretaria Municipal de Saúde também mostram aumento de 30% no número de atendimentos a pedestres na capital no ano passado, em relação a 2010. Foram 1.316 pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2011, contra 1.006 no ano anterior.

O arquiteto e urbanista Lawrence Sorlla destaca a importância de uma boa sinalização nas vias, de passarelas e de maior atenção dos pedestres. "Mais vale perder cinco minutos para atravessar corretamente que se arriscar", disse. (JS)



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