Secretaria garante vaga para internar assassino de professor

Juiz vai decidir se acusado deve ser levado para hospital de Barbacena 

FOTO: ALEX DE JESUS
Discrição. Janelas da casa do estudante ficaram fechadas durante o dia e vizinhos não viram movimentos

OtempoOnline
O estudante que matou um professor no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, região Centro-Sul de Belo Horizonte, em 2010, pode ser internado em um manicômio judicial de Barbacena, na região do Campo das Vertentes. Ontem, a Justiça soltou Amilton Loyola Caires, 23, considerado esquizofrênico, por não haver vaga para interná-lo no manicômio de Barbacena. Porém, horas após a liberação, a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) garantiu uma vaga provisória para o estudante.

A Seds encaminhou, no fim da tarde, um ofício à Vara de Execuções Criminais de Belo Horizonte garantindo a internação provisória até que seja liberada a vaga definitiva. De acordo com a assessoria de imprensa do Fórum Lafayette, com a vaga, Caires pode ser novamente internado. Porém, o ofício ainda passará por apreciação de um juiz.
O Hospital Psiquiátrico e Judiciário Jorge Vaz, em Barbacena, é o único do Estado para portadores de sofrimento mental cumprirem pena. A unidade conta com 160 vagas e, atualmente, todas estão preenchidas.

Ontem à noite, o advogado de defesa do estudante, Bruno Mansur, ainda não sabia da decisão e informou que só vai se pronunciar caso a Justiça mande internar Caires novamente. Há 11 meses, o estudante estava preso na Penitenciaria Inspetor José Martins Drummond, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital, um presídio comum.

O juiz titular da Vara de Execuções Criminais, Guilherme de Azeredo Passos, decretou a liberdade do estudante no último dia 9 de julho, considerando que ele era inimputável. 

A condição imposta pelo juiz para a liberdade de Caires era que ele comprovasse, em até 30 dias, a realização de tratamento ambulatorial em um Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam). Agora, o juiz terá que decidir se mantém o estudante em liberdade e em tratamento no Cersam ou se o interna no hospital de Barbacena. A decisão pode sair a qualquer momento.

Para especialistas, os manicômios não são a melhor alternativa. O assistente social e psicólogo Wenderson Santos explicou que os manicômios têm tratamento precário e não reinserem os doentes mentais à sociedade. "Isolados e sem tratamento, eles não conseguem voltar a conviver em sociedade e são mantidos presos", disse.

Recurso. A família do professor Kássio de Castro Gomes, 39, morto por Caires, afirmou que, se o estudante continuar solto, entrará com recurso contra a decisão judicial. "Ele pode cometer mais crimes. O Estado tem que tratá-lo e puni-lo", disse Sandra Angelica Castro, 39, irmã do professor.

Tratamentos

Alternativas. A Seds informou que pretende extinguir a internação dos doentes mentais em manicômios para cumprimento de penas. Medidas alternativas serão estudadas junto com a Justiça do Estado.

Janelas fechadas
Acusado voltou para casa sem ser visto por vizinhos

Sem chamar a atenção de vizinhos, o estudante de física Amilton Loyola Gonçalves, 23, retornou, na madrugada de ontem, ao mesmo prédio onde morava e foi preso depois de assassinar o professor com uma facada no pescoço, por não concordar com uma nota dada pelo docente. 

O jovem foi levado da Penitenciária Inspetor José Martins Drummond, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital, pela mãe, por volta de meia-noite. Durante toda a manhã de ontem, as duas janelas do apartamento do estudante, no bairro União, região Nordeste da capital, ficaram fechadas. Pelo interfone, a empregada informou que não havia ninguém na casa. 

Um vizinho, que preferiu não se identificar, disse que a movimentação na casa foi normal. "A mãe dele saiu, como todos os dias, de carro, por volta das 9h, mas não vimos mais ninguém". (Lucas Simões)

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