Capital registra aumento de 65% em número de multas

Campeão do ranking é o excesso de velocidade, com 274.091 infrações

FOTO: DOUGLAS MAGNO
Comparação. O psicólogo Marcell Felipe preferiu pagar a multa, já que recorrer sairia mais caro

A falta de responsabilidade dos motoristas aliada a uma penalização branda. A combinação é apontada por especialistas como o motivo para o aumento de 65,13% no total de multas de trânsito aplicadas em Belo Horizonte. Os dados são do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) e comparam os seis primeiros meses deste ano com o mesmo período de 2011. O campeão no ranking das infrações é o desrespeito ao limite de velocidade em até 20%, que, no ano passado, já liderava a estatística e ainda teve um aumento de 34,17%. 

Hoje, a capital tem 53 radares de controle de velocidade em operação, o mesmo número do ano passado. Ainda assim, a quantidade de multas continua a crescer - o excesso de velocidade já responde por 32,11% de todas as sanções de trânsito da capital. Neste caso, a multa ao infrator é de até R$ 85,13.

"Eu fui multado no Anel Rodoviário porque estava com pressa e esqueci completamente o radar. Eu reconheço que fui imprudente, como muitos motoristas são, mas foi sem pensar", afirmou o comerciante Marcos Meireles, 37.



‘Leves’. As infrações fiscalizadas por agentes da Guarda Municipal e pela Polícia Militar consideradas leves também não param de crescer. As multas por ultrapassagem do limite de tempo permitido nos estacionamentos rotativos, por exemplo, tiveram um acréscimo de 21,16% - nos seis primeiros meses de 2011, foram 37.812 infrações, contra 45.814 deste ano. 

O estacionamento em local de carga e descarga teve aumento de 34,51% - foi de 20.490 para 27.563. Falar ao celular dirigindo, que aparece como a segunda irregularidade mais cometida pelos motoristas belo-horizontinos, teve um aumento de 28,76% - passando de 65.576 para 84.441. 

Os dados são ainda mais preocupantes, segundo as autoridades de trânsito, porque o índice de infrações poderia ser ainda maior. De acordo com a assessoria de imprensa da Guarda Municipal, antes de multarem, os agentes orientam os motoristas. A punição só acontece caso o agente não consiga abordar o infrator ou se ele reincidir na infração.


O problema. Para o especialista em trânsito Juan Carlos Horta, o trabalho de educação no trânsito é ineficiente. "O problema é que quem vai multar não consegue pegar todos os infratores. Além disso, o preço das multas leves é relativamente acessível e não pressiona o motorista a não cometer a infração. Tem muita gente que prefere pagar até sem saber se foi mesmo multado. Vale a pena infringir a lei".

E foi o que aconteceu com o psicólogo Marcell Felipe, 24. Multado há três meses, ele preferiu pagar o valor de R$ 53,20 por estacionar em local proibido, mesmo afirmando não haver indicação de proibição na rua. "Fiz as contas, e recorrer da multa ficaria muito mais caro do que pagar. Se a fiscalização não é eficiente e temos tantas multas, imagina se houvesse mais rigor?", criticou o psicólogo.

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Críticas
Placas malcolocadas e radares demais são os problemas
Se, por um lado, a falta de prudência dos motoristas e o desrespeito às leis de trânsito podem ser apontados como aspectos que contribuem para o aumento de multas em Belo Horizonte, por outro, motoristas da capital reclamam de placas malcolocadas e de radares em excesso. Apenas para controle de velocidade, a capital tem 53 detectores. Para especialistas, as instalações nem sempre seriam necessárias para a segurança do trânsito, mas alguns projetos viários da cidade obrigam a presença de radares. 

"Em muitos pontos da capital, a rua, avenida ou estrada permite que o motorista chegue a 110 km/h com toda a segurança possível. Apesar disso, a velocidade máxima em certos trechos é de apenas 60 km/h. Isso acontece porque vias como o Anel Rodoviário e a Cristiano Machado se tornaram perímetros urbanos, com o movimento de pedestres intenso, o que obriga a instalação de radares teoricamente desnecessários", justificou Dimas Alberto Gazzola, especialista em planejamento de sistemas de transporte urbano e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Além disso, motoristas reclamam de radares colocados em locais onde há pouca visibilidade. "Eu estava saindo de um túnel na Cristiano Machado e, aí, tinha uma placa com o limite de 60 km/h, sendo que eu estava a 70 km/h. Quando eu consegui perceber o radar, já estava bem em cima da sinalização, e não deu tempo de reduzir a velocidade", contou a professora Márcia Góes, 61, que foi multada. (LS)

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