foi encaminhado para o Hospital João XXIII, onde receberá atendimento médico.

Governo diz que quem não aceitar reajuste de 15,8% ficará sem aumento 

FOTO: JOÂO GODINHO - 16.8.2012
Deficiência. Serviço de emissão de passaportes, segundo sindicato da PF em Minas, é um dos que mais sofre com a paralisação
Chefes de sindicatos de policiais federais de todo o país se reuniram ontem em Brasília (DF) para discutir os rumos da greve da corporação, que completa hoje 25 dias, e decidiram, mais uma vez, continuar a paralisação. A rejeição à última chance de acordo com o governo federal ainda veio acompanhada da aprovação de um calendário de greve que prevê protestos pelo Brasil para os próximos quatro meses. De acordo com a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), o documento inclui boicotes à ações de inteligência do órgão como infiltrações, campanas, interceptações telefônicas e investigações de organizações criminosas.

"Como nós não recebemos por ações de inteligência e planejamento, vamos nos abster de realizá-las até que o governo entenda o absurdo da situação", avisou o presidente da Fenapef, Marcos Wink. 
Essas atividades são exercidas quase que exclusivamente por agentes, um exército de mais de 8.000 policiais, 60% de todo o efetivo da Polícia Federal.

Sem reajuste há três anos, os policiais federais recebem hoje entre R$ 7.500 e R$ 13 mil. Com a reestruturação, os policiais querem ser equiparados às demais carreiras de Estado, cujos salários vão de R$ 12 mil a R$ 19 mil.

Em Minas. O presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Estado (Sinpef-MG), Renato Deslandes, garantiu que só 30% dos policiais estão em atividade. Com isso, a emissão de passaportes segue prejudicada. 

Uma estimativa do Sinpef-MG apontou que mais de 20 mil passaportes deixaram de ser produzidos em Minas Gerais. Antes da paralisação, cerca de 1.200 documentos eram emitidos diariamente no Estado. O site da PF também tem apresentado problemas, impossibilitando o agendamento para a confecção de novos documentos.

Deslandes ainda informou que um novo protesto deve acontecer na capital a partir da semana que vem. Segundo ele, os agentes devem continuar priorizando casos emergenciais, que incluem pessoas que já compraram passagens ou precisam viajar por questões de doença e trabalho.

Retorno às aulas. Apesar da indicação dada pelo Sindicato de Professores dos Universidades Federais de Belo Horizonte e Montes Claros para que a greve seja mantida, alguns setores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sinalizam uma volta às atividades, como o curso de filosofia. Os professores do curso de história retornaram ao trabalho e os de filosofia ensaiam seguir o mesmo caminho.
`Paralisação do funcionalismo público precisa ser regrada´
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse ontem que o governo quer regras mais claras para as greves do funcionalismo público. Segundo ela, é preciso "um regramento melhor". Ela ainda destacou que o governo foi "vitorioso" no processo de negociação com os servidores públicos ao longo dos últimos três meses. 

"Precisamos que o país discuta os limites do direito de greve. É necessário estabelecer as condições em que a greve pode ser exercida sem causar danos à economia e transtornos para a população", afirmou Miriam. 

O governo anunciou ainda que os militares terão um reajuste maior do que o concedido para a maioria dos servidores públicos do Executivo civil, Legislativo, Judiciário e Ministério Público da União.

A categoria, segundo a ministra do planejamento, terá um aumento de 30%, diluídos nos próximos três anos. "O governo priorizou algumas áreas", disse Miriam, citando o reajuste dado a professores e técnicos-administrativos de universidades e institutos federais, além dos servidores do Incra. 

Valores. Para a maior parte das categorias, o reajuste oferecido foi de 15,8%, até 2015. Já no caso dos professores, o reajuste varia de 25% a 40%. Os técnicos-administrativos receberam os mesmos 15,8%, mas assinaram acordo que garante novos índices para evolução na carreira e incentivo à qualificação. 

Ao todo, o governo terá em 2013 uma despesa de R$ 10,2 bilhões com as reestruturações e aumentos no contracheque de carreiras do Legislativo, Judiciário, MPU e Executivo. Desse total, R$ 8,9 bilhões (87,2% do total) se referem aos servidores do Executivo. O governo ainda anunciou que as categorias que não aceitaram o acordo devem ficar sem nenhum aumento em 2013. (Da Redação)

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