Após mais de um ano foragido, Roni debocha ao ser preso

Traficante chegou a morar alguns meses em Minas e viveu também no exterior

OTO: JOÃO MIRANDA
OtempoOnline
Depois de um ano e três meses foragido, a Polícia Civil recapturou, na manhã de ontem, Roni Peixoto, 42, considerado o maior traficante de Minas. Com 10 kg a menos e grisalho, ele foi encontrado em uma casa de alto padrão e com esquema de segurança reforçado, em Goiás, a 800 km de Belo Horizonte. Ele não resistiu à prisão e negou envolvimento com o tráfico. Em sua casa, não foram encontradas armas ou drogas. 

Oito policiais mineiros vigiavam a casa do megatraficante desde sábado. Roni, que seria o braço-direito de Fernandinho Beira-Mar em Minas, foi trazido na noite de ontem para a capital mineira. Ele passou a noite na Penitenciária Nelson Hungria, na região metropolitana, mas o Estado não descarta sua transferência para uma prisão federal. 

Em tom debochado, ele disse, em entrevista, que sabia que acabaria sendo preso e que vai pagar o que deve. "Eu não sou isso tudo que estão falando. Nunca vi o Beira-Mar. Estão tentando me fazer de bode expiatório", disse, rindo.

Roni estava em Goiás desde janeiro, com a família. Segundo os vizinhos, ele saía pouco da casa que tinha dois pit bulls, muros altos, cerca elétrica e câmeras de segurança - o imóvel era alugado por R$ 1.000. Uma fonte contou que a casa foi assaltada há dois meses. "A vizinhança disse que, no dia seguinte, um caminhão de móveis novos parou na porta".

A operação policial para a prisão de Roni começou há dois meses, depois que, segundo o delegado Wanderson Gomes, surgiram indícios de que ele estivesse no Estado vizinho. "Juntamos vários elementos e cruzamos dados que nos levaram a Goiás, como veículos de pessoas relacionadas ao Roni que foram transferidos para aquele Estado".

O delegado disse que Roni ainda abastecia o tráfico de Belo Horizonte e região e que seus comparsas serão investigados. "Traficante como ele compra 1 kg de pasta base por U$ 2.000 e revende a U$ 5.000", disse. Conforme o policial, não há indícios de crimes dele em Goiás.

Fuga. O criminoso deixou a Penitenciária José Maria Alckmin, na região metropolitana, em julho do ano passado, favorecido pela Justiça com o regime semiaberto. Para conseguir o benefício de trabalhar fora da prisão, Roni apresentou documentos falsos. 

Segundo o delegado, ele contou que chegou a ficar meses em Minas e há a suspeita de que ele tenha morado no exterior. Uma fonte disse que ele voltou a Minas recentemente para coletar dinheiro do tráfico e foi visto em um posto de gasolina, em Igarapé, na região metropolitana.



Fuga coloca sistema
A fuga de Roni, em 2011, levantou muitas discussões sobre a eficiência do sistema penitenciário. Além dele ter conseguido sair pela porta da frente da prisão com documentos falsos, a Secretaria de Estado de Defesa Social teria demorado oito dias para incluir seu nome no Infoseg - sistema nacional unificado de consulta sobre criminosos. A demora teria ocorrido também para acionar a Interpol (polícia internacional). 

Para o sociólogo Rodrigo Pimentel, especialista em segurança pública e ex-capitão do Bope, no Rio de Janeiro, o tempo de busca por Roni foi razoável, já que há outros inquéritos a serem investigados. "Quando o bandido sai do Estado, a polícia tem que esperar ele dar uma pista. Normalmente, eles não praticam crimes fora do Estado dele, ficam só escondidos".

Já na a avaliação do filósofo Robson Sávio, a polícia judiciária é frágil. "Não existe um órgão nacional que dá conta de gerenciar as informações dos Estados". (JS)

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