Prefeitos barrados nas urnas iniciam operação desmonte

Suspensão de benefícios e de contratos já ocorrem no interior

FOTO: DOUGLAS MAGNO - 29.8.2012
OtempoOnline
Termina o período eleitoral e os prefeitos que não foram reeleitos começam a cortar os gastos da administração municipal. Em inúmeras cidades de Minas Gerais, na semana seguinte ao resultado obtido nas urnas, os agentes públicos deixaram de pagar transporte para a população, reduziram a distribuição de alimentos e demitiram funcionários. 

As justificativas para essas atitudes são diversas. Se, de um lado, os moradores atribuem a economia ao fato de o prefeito ter sido derrotado no pleito e, por isso, querer punir os eleitores pela escolha "errada", do outro, as prefeituras argumentam que precisam reduzir as despesas por conta do fim do mandato e da necessidade de enquadrar as contas da gestão na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 

Em Minas, de acordo com a Justiça Eleitoral, 347 prefeitos tentaram a reeleição em 7 de outubro e, desse total, pouco mais de 50% conseguiram vencer novamente. Em Nova Serrana, no Centro-Oeste do Estado, o problema começou depois que a prefeitura suspendeu a ajuda de custo para o pagamento de parte do transporte dos estudantes universitários. O valor, que varia de R$ 68 a R$ 90 por pessoa, foi suspenso logo após o fim do período eleitoral. A situação revoltou os estudantes, que chegaram a fazer uma manifestação em frente à sede administrativa do município.

A assessoria de comunicação da prefeitura não confirma a suspensão do pagamento, mas informou que o prefeito Paulo César de Freitas (PDT) vai se reunir com os estudantes, na próxima semana, para tentar uma solução para a situação. 

Baixas. Já em Cedro do Abaeté, cidade na região Central, com pouco mais de 1.000 habitantes, alegando a necessidade de cortar gastos para não deixar dívidas para a próxima gestão, o prefeito Hilário Darck dos Reis (PMDB) rescindiu contratos com funcionários. De acordo com uma moradora, que pediu o anonimato, cerca de dez prestadores de serviço foram demitidos. 

Situação semelhante também aconteceu em Betim e Santa Luzia, ambas na região metropolitana de Belo Horizonte. Na primeira, dois dias após perder as eleições, a prefeita Maria do Carmo Lara (PT) cancelou convênio com a entidade Missão Ramacrisna, encerrando contrato com 447 pessoas. O Executivo não confirma o corte de gastos e alega a necessidade de "cumprimento de ordem judicial expedida pela Justiça". 

Já em Santa Luzia, segundo funcionários que atuam na administração, para adequar as contas ao fim do mandato, o prefeito Gilberto Dorneles (PSD) também demitiu funcionários. Ontem, ninguém foi encontrado para comentar as baixas. Parte do pessoal da prefeitura passou o dia reunido com a procuradoria do município para discutir a situação.
Para `não ficar no vermelho´
Em Pratápolis, no Sul de Minas, o prefeito Everilson Cleber Leite (PR), admite que já determinou à Secretaria de Finanças que estude as áreas em que será necessário fazer cortes para que a prefeitura não feche a as contas no vermelho e, por isso, tenha problemas com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 

"Vamos ter que fazer contenção de gastos. Acho que nosso principal foco será a redução dos cargos comissionados", afirma, garantindo que não vai mexer nos benefícios "sociais" que são fornecidos pela prefeitura à população. 

De acordo com moradores, a suspensão de serviços aconteceu na semana passada, mas a maioria já foi normalizado. Alunos ficaram sem transporte para as universidades localizadas em cidades próximas e houve corte do auxílio gás e da distribuição de medicamentos. 

O asilo Lar São Vicente também sofreu e ficou sem receber leite e pães. "Ficamos sem receber esses alimentos por dois dias, mas, agora, já está tudo normal", explica a funcionária Débora dos Santos. 

Resposta. O prefeito argumenta que as queixas não passaram de boatos e que o único problema real foi a falta de transporte. "Era semana de feriado, a chamada ‘semana do saco cheio’, e então os estudantes não tinham aula e não precisavam de transporte", justifica. 

Everilson não tentou a reeleição, mas apoiou a colega de partido Denise do Hospital, que perdeu a disputa para Zé Eneido (PMDB). (IL)
Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)
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