Assaltos em série a residências expõem crueldade e ousadia

Estudiosos apontam impunidade e revanchismo como causas do problema

FOTO: ALEX DE JESUS
Nova Lima. Família passou toda a madrugada em poder de três criminosos, no bairro Vila da Serra
Galeria de fotos
OtempoOnline
A série de assaltos a residências em bairros de Belo Horizonte e de Nova Lima, na região metropolitana, em um único dia, expôs o alto grau de crueldade dos criminosos. Em pelo menos quatro ocorrências, moradores do Santa Lúcia e do Belvedere, na região Centro-Sul, e do Vila da Serra, na cidade vizinha, relataram ameaças e torturas. Durante o reconhecimento dos bandidos presos, as vítimas não conseguiam parar de chorar e de tremer, tamanho era o pânico. Segundo especialistas, a certeza da impunidade e a necessidade de mostrar poder são a mistura que elevam o nível de crueldade dos ladrões.

O último assalto da série começou no fim da noite de segunda-feira e só terminou na manhã de ontem, quando uma dentista e o porteiro de seu prédio foram resgatados do porta-malas de seu carro, abandonado depois de uma madrugada inteira sob a mira de homens armados. 

A dentista foi rendida no fim da noite de segunda-feira, quando saía da casa da mãe, em um cruzamento no Belvedere. Após tentarem comprar aparelhos eletrônicos em duas lojas de uma rede de supermercados da capital com o cartão da vítima, eles usaram o carro dela para invadir o prédio em que ela mora, no Vila da Serra. No local, eles mantiveram a mulher, o marido dela, a babá e o porteiro reféns. Os três filhos pequenos do casal dormiram durante toda a ação. 
Sempre fazendo muitas ameaças, o grupo roubou joias, celulares, dinheiro e roupas. Ninguém ficou ferido. Na fuga, eles ainda levaram os dois carros da família. Em um deles, a dentista e o porteiro foram trancados no porta-malas e só foram encontrados, no início da manhã de ontem, em uma estrada de São Sebastião das Águas Claras, distrito conhecido como Macacos, na região metropolitana.

Conforme a Polícia Militar, as câmeras do circuito interno do prédio flagraram os suspeitos, que não usavam máscaras. O três teriam idades entre 17 e 25 anos e, até o fechamento desta edição, não haviam sido presos. 

Maldade. De acordo com Jacques Akerman, membro do Conselho Regional de Psicologia de Minas, há uma banalização cada vez maior da violência. No entanto, ele afirma que as causas para a agressividade extrema dos bandidos extrapolam razões sociais e econômicas. "Eles não se contentam apenas em roubar. Trata-se de um gozo sádico. Eles querem mostrar seu poder de dominação. O sentimento é de revanche contra a vítima".

Para Luis Flávio Sapori, especialista em segurança pública, a ousadia dos criminosos é resultado da impunidade. "Eles se sentem livres para coagir suas vítimas e torturar". Em uma das casas invadidas, os ladrões chegaram a pichar na parede que nunca seriam pegos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário