Ladrões migraram do tráfico por causa da repressão às drogas

Especialistas dizem que ação da polícia serve apenas para controlar indicadores

FOTO: NELSON BATISTA
Betim. Funcionários e clientes de um motel foram vítimas de assalto; criminosos acabaram presos
OtempoOnline
Se, por um lado, a população de Belo Horizonte vê crescer os crimes violentos contra o patrimônio (roubo e extorsão) nos últimos meses, os números de homicídios caíram no mesmo período. A repressão ao tráfico de drogas é uma das justificativas das polícias e da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) para a redução dos assassinatos e o aumento dos assaltos.

Especialistas, no entanto, criticam a migração e afirmam que ela é causada por uma política de segurança pública equivocada, que ataca o problema imediato em detrimento do todo.

Segundo dados da Seds,nos quatro primeiros meses do ano foram registradas 9.075 ocorrências de roubo e extorsão na capital - a média em abril foi de 3,5 crimes por hora. No mesmo período de 2012, foram 7.858 - a alta é de 15,4%. Já os homicídios, sempre associados ao tráfico de drogas pelas autoridades, caíram 23,5%. Neste ano foram 211 mortes, contra 276 no primeiro quadrimestre de 2012. 

O titular da Seds, Rômulo Ferraz, disse, em entrevista a O TEMPO na segunda-feira, que o crescimento dos assaltos ocorreu após a intensificação do combate ao comércio de entorpecentes. Os criminosos tiveram que buscar novas formas de ganhar dinheiro. "A repressão ao comércio e à plantação de drogas tem motivado essa migração de crimes", disse.
 
O chefe do 1º Departamento da Polícia Civil da capital, Anderson Alcântara, confirma a migração. "Apertamos o cerco ao tráfico e alguns infratores envolvidos com esse crime migraram". A opinião é compartilhada pela coronel Cláudia Romualdo, comandante do policiamento da capital. "Uma das explicações para o aumento do crime violento contra o patrimônio é a atuação das polícias na repressão ao tráfico. Se não está dando lucro vender droga, vai tentar outra forma".

Para o sociólogo e especialista em segurança pública Robson Sávio, as polícias atuam depois que o problema se instala. "Cobre de um lado e descobre do outro. Monta-se uma força-tarefa para controlar os indicadores, enquanto o certo seria investir em políticas de prevenção e em investigação, por exemplo". 







BETIM
Três presos por arrastão em motel
Três homens foram presos, na madrugada de ontem, suspeitos de fazer um arrastão em um motel no bairro Jardim Alterosas, em Betim, na região metropolitana. Segundo a Polícia Militar, Adenilton Ferreira da Silva, 26, Junio Carvalho, 19, e Caio Henrique Faria, 20, assaltaram o estabelecimento, roubaram o carro de um cliente e, na fuga, trocaram tiros com os militares.

De acordo com o sargento Joel Ferreira, o grupo armado chegou ao local em um Palio e rendeu a recepcionista. Eles roubaram cerca de R$ 1.500 do caixa, além de notebooks, televisores e bebidas. Eles assaltaram um casal, levando R$ 500, roupas, carteiras, celulares e um carro.

Fuga. Os suspeitos tentaram fugir da polícia, mas bateram o veículo. Cães farejadores e um helicóptero foram usados na ação. Ainda segundo a corporação, na fuga, os suspeitos atiraram contra os militares, que revidaram. Silva foi atingido nas pernas. Com os três suspeitos, foram apreendidas duas armas. O material roubado foi recuperado. (José Augusto)

Nenhum comentário:

Postar um comentário