Minas quer importar modelo do Rio para diminuir acidentes

Na capital fluminense, batidas com vítimas caíram 27% depois das blitze; em BH, índice foi de apenas 11%

Neste mês, Minas apertou o cerco contra motoristas que tentam fugir das blitze, fechando ruas próxim
OtempoOnline
Uma equipe da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) embarca hoje para o Rio de Janeiro para conhecer a receita de sucesso da operação Lei Seca do Rio de Janeiro, tida como modelo nacional. A intenção é importar as ações que ajudaram a capital fluminense a reduzir quase três vezes mais o índice de acidentes com vítimas que o registrado em Belo Horizonte, desde 2009. O percentual caiu 27% nos últimos três anos e, na capital mineira, foram 11%. Os números absolutos não foram informados.No caso dos acidentes no geral, desde o início das blitze, o Rio conseguiu uma redução de 34%. A Seds não informou o dado de Minas. O percentual de motoristas cariocas flagrados bêbados que, no início da campanha, era de 20%, hoje é de 6%. Em Belo Horizonte, o índice caiu de 8,3% para 2,2%, segundo a Seds.

O subsecretário da Secretaria de Integração da Seds, Daniel Malard, explica que a intenção de Minas é ampliar a fiscalização. “Vamos conhecer a estrutura que faz do Rio um modelo e entender a abordagem e o sistema deles”, afirmou.

O coordenador da operação Lei Seca carioca, major Marco Andrade, acredita que um dos diferenciais do Rio é o fato de as ações estarem subordinadas diretamente à Secretaria de Governo e, por isso, mais próximas do governador. Elas também são integradas com as polícias Civil e Militar e os órgãos de trânsito.
Na capital do Rio, sete operações são feitas todos os dias. Em Belo Horizonte, segundo o Estado, são quatro e só em julho de 2012 as blitze passaram a ser diárias. Antes, elas se limitavam aos fins de semana. Para o major Andrade, a periodicidade é importante. “É impossível mudar o comportamento de alguém com uma fiscalização de fim de semana. Tem que ser todo dia”, afirmou.
O engenheiro especialista em trânsito Silvestre Andrade aprova a iniciativa. Para ele, é preciso ampliar o número de abordagens e o leque de regiões fiscalizadas. “No Rio, como há muitos famosos e eles também são pegos (nas blitze), as pessoas têm mais a sensação de punição. Aqui, é preciso ampliar as ações e investir em publicidade e campanhas educativas”, avalia.
Silvestre observa ainda que tão importante quanto melhorar a fiscalização, é a mudança no Judiciário. “As pessoas precisam pensar que a ação de provocar uma morte terá consequências judiciais”, argumenta.
Na capital mineira, a média mensal de veículos abordados é de 5.000, no Rio, são 22,5 mil. A frota de Belo Horizonte é de 1,5 milhões de veículos e, do Rio, de 2,6 milhões.
Investimento. O orçamento para as ações de fiscalização e prevenção de motoristas embriagados no Estado do Rio é quase o dobro do valor previsto para este ano em Minas. São R$ 9 milhões contra R$ 4,9 milhões. A maior parte das ações de ambos se concentra na região metropolitana que, em Minas tem 5,5 milhões de moradores e, no litoral fluminense, 11,5 milhões.

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