Sem-teto transformam ruas da capital em "albergues" ao ar livre

Sem-teto transformam ruas da capital em "albergues" ao ar livre
Sem casa: Até o fim do ano, a PBH fará o
 levantamento da população de rua

Do Hoje em dia
A poucos passos da sede do Comando da Polícia Militar  de   Minas    Gerais, próximo ao Palácio da Liberdade e dos Despachos, no prédio   da  Biblioteca Pública, zona Sul de Belo Horizonte, moradores de rua dormem rodeados por caixas de papelão vazias. O número deles ali varia a cada noite. Ficam lado a lado e a cena lembra um albergue improvisado. Quem madruga para ir trabalhar percebe que a presença deles aumentou na capital porque são vistos por quase toda parte.

O problema dos moradores de rua não é caso de polícia, mas uma questão de política social. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) trabalha com dados de 2005 para prestar assistência aos moradores de rua, que na época eram 1.164 adultos. Mas promete atualizar os números até o fim do ano, realizando uma nova pesquisa.
O educador social da Pastoral de Rua Jadir de Assis não arrisca estimar o número deles, mas também percebe que “aumentaram muito na cidade nos últimos anos”.

O ex-morador de rua Samuel Rodrigues, coordenador do Movimento Nacional de População de Rua, calcula haver entre 2 mil e 2.500 indivíduos nas vias públicas da capital.

É possível mesmo que o número deles tenha pelo menos dobrado oito anos depois da última pesquisa. Apesar da existência de políticas públicas, dos abrigos e albergues específicos, as ações não são suficientes para atender os casos que surgem a cada dia.

Onde estão

Vítimas da indiferença popular, como se fossem “invisíveis”, eles podem ser encontrados em grande número na região da Lagoinha, na praça Vaz de Melo ou debaixo dos viadutos.

Além da Lagoinha, eles estão na Praça da Estação, debaixo do viaduto Santa Tereza, no Parque Municipal, na Praça Raul Soares, em ruas do Centro da cidade e nas imediações da Savassi, onde têm se refugiado da violência.

“Eles começaram a surgir na década de 50 com o fenômeno da industrialização, que provocou o deslocamento das populações do campo para as grandes cidades”, disse Jadir de Assis.

Atualmente, há moradores de rua organizados em grupos que têm lutado por direitos. O empenho deles é para que sejam incluídos no próximo Censo do IBGE, a fim de colherem benefícios de políticas públicas, como o programa “Bolsa Moradia”, da Urbel, que repassa R$ 500 por mês. Com endereço fixo, têm mais chance de encontrar emprego e sair das ruas.

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