Empréstimo de PMs durante a Copa das Confederações desequilibra segurança em Minas


Empréstimo de PMs durante a Copa das Confederações desequilibra segurança em Minas
PRAÇA 7 – Pontos turísticos da cidade terão atenção especial da PM

Do Hoje em dia
O destacamento de 1.530 policiais militares para a segurança do entorno do Mineirão e da região Central de Belo Horizonte, durante a Copa das Confederações, pode enfraquecer o trabalho de prevenção à violência em outras localidades. De acordo com o governo do Estado, 45% desse efetivo será “emprestado” de companhias e batalhões da própria capital e da região metropolitana.Para o coordenador da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), subtenente Luiz Gonzaga Ribeiro, a criação do Batalhão Copa reflete a ineficiência no planejamento de grandes eventos no Estado.“Retirando policiais de outras áreas, o Estado mostra que está simplesmente ignorando a demanda natural da sociedade para atender a um evento específico”, afirma Ribeiro.
Sem férias

O Estado, por sua vez, garante que não haverá prejuízos à segurança. De acordo com o comandante do Batalhão Copa, tenente-coronel Hércules de Paula Freitas, militares do setor administrativo e aqueles que estariam de férias neste mês foram designados a atuar no evento.“Posso garantir que não haverá desfalque nos batalhões e que o policiamento das regionais será realizado de forma rotineira”, reforça Freitas.O Batalhão Copa da Polícia Militar é formado por cadetes do curso de formação de oficiais, alunos do curso de formação de sargentos e cabos de unidades da região metropolitana. Os militares irão atuar entre sábado e o dia 30, distribuídos em companhias estratégicas no entorno do Mineirão, nos aeroportos de Confins e da Pampulha, na Praça da Estação, na rodoviária, em estações de metrô e em pontos turísticos.
PRF

A redução do efetivo para compor o policiamento específico do evento também acontece na Polícia Rodoviária Federal (PRF). Pelo menos 270 militares de Estados que não sediarão os jogos da Copa já estão em solo mineiro. Outros 730 homens, de municípios do interior do Estado, também atuam nas fronteiras de Minas.Apesar do reforço chegar “de fora”, o assessor de imprensa da PRF em Minas, inspetor Aristides Júnior, garante que as atividades de rotina serão mantidas.“A prioridade no momento é a Copa das Confederações, um dos eventos de maior visibilidade no país. Mandamos policiais para o interior também. Inclusive, esses 270 que vieram de fora foram justamente para as cidades de fronteira”, explica.Para o presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (Fenaprf), Pedro Cavalcanti, faltou planejamento estratégico. “Já temos um efetivo bastante reduzido e deficitário em todo o país. Retirando de um local para reforçar outros, deixamos a população ainda mais vulnerável”, diz.Ainda de acordo com ele, houve falta de planejamento para receber o evento. O governo federal, afirma Cavalcanti, deveria ter se preparado melhor e aberto concursos em tempo hábil, evitando, assim, que fosse necessário desguarnecer determinadas regiões para proteger outras.

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