Aeronaves compradas com recurso público se deterioram no interior de Minas

Aeronaves compradas com recurso público se deterioram no interior de Minas
Anac e aeroclube se desentendem sobre critérios do contrato entre as partes
JUIZ DE FORA – Sete aviões de pequeno porte comprados com recursos públicos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estão se deteriorando no Aeroclube de Juiz de Fora, na Zona da Mata. A entidade, sem fins lucrativos, não estaria realizando a manutenção adequada das aeronaves e a Anac abriu processo administrativo para averiguar o descaso e aplicar penalidades.

Os aviões foram cedidos, por contrato firmado em 2010, para treinamento de pilotos pelo aeroclube. No entanto, por falta de manutenção, os equipamentos estão parados no hangar que fica próximo ao Aeroporto Francisco Alvares de Assis, conhecido como Serrinha.

Pelo acordo com a Anac, o aeroclube recebeu as sete aeronaves do modelo Aero Boero 115 pertencentes a outras entidades em Minas Gerais. Fabricadas na argentina, na década de 90, chegaram a Juiz de Fora em 2006.

Os aviões foram adquiridos pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) a um custo médio de R$200 mil cada. A Anac admite que assumiu a responsabilidade por cada um logo após a extinção do DAC, que teria a intenção de criar em Juiz de Fora uma oficina para a recuperação dos equipamentos.

Segundo fontes ligadas ao aeroclube, até o fim de 2012, todos os sete aviões estavam estacionados no pátio da entidade. Algumas teriam se deteriorado por falta de manutenção, ficando sem hélices e tecido da cobertura externa. Para evitar roubos, os equipamentos, como rádios e transponders foram retirados e guardados em um quarto do hangar.

De acordo com a Anac, o contrato firmado com o Aeroclube de Juiz de Fora previa que a manutenção fosse feita pela entidade, sem a previsão de qualquer repasse financeiro para isso. Segundo a mesma fonte, o aeroclube, no entanto, esperava receber cerca de R$700 mil para a recuperação dos aviões.

Em vistoria feita no início do ano, a agência determinou que todos os aviões fossem transferidos para dentro do hangar do aeroclube. Para ganhar espaço, partes da carenagem dos aviões teriam sido retiradas e guardadas.

A Anac informou que, por conta disso, a vistoria técnica foi realizada, há quase dois meses, e confirmou o problema. Devido às irregularidades encontradas, o processo administrativo foi instaurado. “Por conta dos danos ao patrimônio público serão aplicadas penalidades e retomados os bens, tão logo seja concluído o processo em curso”, garantiu a agência, por meio de nota.


Fonte: Hoje em dia

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