Consumo de crack e falta de iluminação assustam usuários

Reportagem de O TEMPO flagrou luminosidade ruim em 14 das 19 estações de Belo Horizonte

Iluminação é escassa em rua e passarela que dão acesso à estação Santa Tereza
Iluminação é escassa em rua e passarela que dão acesso à estação Santa Tereza
Usuários do metrô da capital ainda procuram uma luz no fim do túnel para ter acesso à qualidade no meio de transporte, que tem a mesma estrutura de quando foi inaugurado, há quase 30 anos. Se, durante o dia, a luta é para vencer a superlotação dos trens, à noite, a dificuldade é enfrentar as estações abandonadas e praticamente às escuras. Enquanto os investimentos para a expansão do metrô não chegam, a reportagem de O TEMPO percorreu os acessos às 19 estações e encontrou má iluminação em 14 delas e ocupação de usuários de drogas em três.Uma das piores situações está na estação Lagoinha, no centro – que dá acesso à rodoviária e por onde circulam 50 mil pessoas por dia. Além da fraca iluminação oferecida nos 100 m de rampa que levam à estação, usuários de crack se amontoam em vias adjacentes, como a avenida dos Andradas.
“Tive a bolsa puxada por um usuário de drogas uma vez aqui, numa escuridão que nem parece acesso de metrô. De dia, apesar da sujeira e da presença desses usuários, o perigo não acontece porque tem muita gente na rua. É cair a noite que a situação muda”, disse a servidora pública Maria das Dores Francine, 55.

Das 18h às 23h, cerca de 80 mil pessoas ainda precisam usar o metrô – 30% dos 243 mil passageiros transportados diariamente pelo sistema. Porém, muitas vezes, a doméstica Angélica Alves, 28, moradora de Venda Nova, prefere mudar seu caminho ao invés de encarar os acessos da estação Carlos Prates, na região Noroeste.

“Ou a gente passa por um beco com cheiro de urina e usuários de drogas te rondando, ou sobe uma passarela em espiral, sem cobertura e deserta, à noite. Há dias em que pego um ônibus para outra estação porque, no Carlos Prates, é uma área morta”, disse a doméstica, que usa o metrô de segunda-feira a sexta-feira, às 20h, para chegar em casa.
Deserto. As chamadas áreas “mortas” das estações podem ser explicadas pela própria implementação do transporte, em locais sem demanda de público em 1986, quando foi inaugurado.

“Naquela época, o metrô mal tinha público. Hoje, mesmo com a superlotação, a maioria das estações está em áreas onde não há concentração de empresas, aparelhos públicos ou ocupações culturais para tornar as regiões movimentadas”, avaliou o professor Manoel Teixeira, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

Fonte:OtempoOnline

Nenhum comentário:

Postar um comentário