Prefeituras dizem que sofrem com falta de mais profissionais da saúde, além de médico

Governo federal quer ampliar formação de dentistas, enfermeiros, nutricionistas e outros
A falta de profissionais deixa gabinetes dentários sem funcionar em Chapada Gaúcha, no Norte de Minas (Solon Queiroz/Esp. EM)
A falta de profissionais deixa gabinetes dentários sem funcionar em Chapada Gaúcha, no Norte de Minas
A possibilidade de o governo estender mudanças na formação médica para outras profissões da área da saúde repercute entre prefeituras mineiras e entidades de classe. Diante da confirmação de que o Conselho Nacional da Educação (CNE) discute alterações na grade curricular e a possível inclusão de um segundo ciclo acadêmico para estudantes de enfermagem, odontologia, nutrição e outras carreiras, prefeitos afirmam que a falta de alguns desses profissionais também é crônica e pedem medidas para resolver o problema. 

Na segunda-feira, o governo lançou o programa Mais Médicos, que além de abrir possibilidade de contratação de médicos estrangeiros, obriga formandos em medicina a completar a formação no Sistema Único de Saúde. A complementação do curso de medicina, chamada de segundo ciclo, estabelece que a partir de janeiro de 2015 o estudante trabalhe por dois anos em unidades básicas do SUS. O aluno será remunerado com uma bolsa e só receberá o diploma de médico depois de completar o período de oito anos. Embora conselhos de medicina critiquem a medida, o CNE avalia em Brasília estender a obrigatoriedade de formação complementar no SUS a outras profissões da saúde. 

Em municípios, a falta de profissionais é reconhecida pelos prefeitos. Em Chapada Gaúcha, por exemplo, faltam dentistas. A cidade tem seis consultórios odontológicos, sendo três na sede e três em comunidades rurais, além de uma unidade móvel, mas a prefeitura tem apenas três dentistas. “A assistência odontológica não é satisfatória, pois para atender uma população de 12 mil habitantes precisamos de cinco dentistas” diz o secretário municipal de Saúde, Robson Meireles Castro. 

Segundo ele, para piorar a situação, os mesmos três dentistas atendem alunos de 38 escolas municipais em uma unidade móvel. “Algumas unidades são atendidas a cada 15 dias, outras uma vez por mês”, observa Robson. Ele afirma que para melhorar as condições do município a prefeitura precisa de apoio e recursos do governo suficientes para contratar mais dentistas e técnicos em higiene dental e auxiliares.

Japonvar, também no Norte de Minas, tem quatro equipes do Programa Saúde da Família (PSF), mas somente três funcionam. Há um mês o prefeito Eraldino Soares de Oliveira (PT) não consegue contratar dentistas. Segundo a secretária municipal de Saúde, Irene Ferreira Aquino, os dentistas da cidade recebem um salário de R$ 2,2 mil. "Reconhecemos que é pouco, mas é o valor que podemos pagar", disse a secretária.

Preparação melhor

Para o vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG), Lúcio José Vieira, eventuais mudanças podem ser positivas para a formação desses profissionais. Ele acredita que, com o estágio no sistema público de saúde, o aluno ficará mais bem preparado para atuar no mercado. “Um profissional mais habilitado trará benefícios não apenas para o paciente da rede pública, mas também o da rede particular”, diz. O Conselho Regional de Nutricionistas de Minas Gerais ainda não analisou a mudança.

Entre estudantes, a medida divide opinões. Daniele de Sousa Ferreira, de 24 anos, do 9º período de enfermagem, se forma no fim do ano e acredita que a medida pode ser válida, se for para melhorar a saúde no país. No entanto, ela diz ainda não conseguir entender o impacto dessa mudança para vida acadêmica. O estudante de nutrição Igor Martins Ferreira, de 20, está no terceiro período do curso e questiona: “ Haverá vaga para todos os alunos na rede pública de saúde?” O problema é você terminar o curso e não achar esse estágio”, diz.

UEMG fortalecida

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou ontem, em segundo turno, o projeto de lei, de autoria do governo do estado, que dispõe sobre a absorção de fundações associadas à Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). A proposição, que tramitava em regime de urgência, estabelece que, a partir da absorção, o ensino será público e gratuito. O projeto determina que os alunos regularmente matriculados em fundação associada ficam automaticamente transferidos para a Uemg na data da publicação do decreto. Ao mesmo tempo, a Uemg facultará, em prazo definido em regulamento, a renegociação dos débitos para habilitação à matrícula daqueles alunos impossibilitados de renová-la com a fundação associada. Com a absorção, o número de cursos oferecidos pela Uemg passará de 32 para 112; o de alunos aumentará de 5.600 para 15 mil e o de professores de 853 para 1.800.

Fonte: Jornal Estado de Minas

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