Polícia Civil chega até cúmplice de tráfico de crianças

Mulher que iria ficar com a criança foi ouvida ontem pelo delegado do caso

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A Polícia Civil de Minas Gerais identificou uma segunda mulher suspeita de fazer parte do esquema de tráfico de crianças descoberto nesta semana no Hospital Regional de Betim, na região metropolitana da capital. A funcionária pública Cláudia Denise Giani, 39, teria sido flagrada por câmeras de segurança da unidade, na última terça-feira. Ela seria irmã da agente de turismo Eliane Azzi, 37, que foi presa no mesmo dia ao pressionar funcionários do hospital a dar alta a um recém-nascido.


Ontem, o delegado responsável pelas investigações, Tito Barichello, da 3ª Delegacia de Betim, intimou a mulher a prestar depoimento. Horas depois, chegou a circular entre os jornalistas a informação de que Cláudia iria depor ontem mesmo, mas, até o fechamento desta edição, não houve confirmação da apresentação.
Além das imagens das câmeras, o serviço social do hospital também registrou a presença de Cláudia, segundo uma fonte ligada ao caso. A mulher estaria usando um jaleco branco e teria se apresentado como acompanhante da mãe do bebê. A funcionária que teria recebido a mulher foi ouvida ontem e não teve o nome revelado. Ela também não quis conversar com a imprensa. “Por enquanto, não vamos revelar o conteúdo do depoimento dela, para não comprometer as investigações”, afirmou Barichello.
Também no fim da tarde de ontem, a advogada Selena Gualberto, 34, apontada pela polícia como receptadora da criança, esteve na 3º Delegacia, acompanhada do marido e da advogada. Na chegada, ela também não conversou com a imprensa. Até o fim da noite, a advogada ainda prestava depoimento na delegacia. De acordo com as primeiras informações divulgadas pela polícia, a advogada mora em Rondônia e teria entrado em contato com a verdadeira mãe da criança, Janaína Carvalho, 24, através de um site de doações. A partir disso, a agente de turismo Eliane Azzi, que mora na capital, teria intermediado a relação das duas.
O esquema foi descoberto depois que os enfermeiros e assistentes sociais do hospital perceberam divergências nas informações prestadas por Janaína na ficha de cadastro. Ela deu entrada no local se passando por Selena e com documentos de identificação falsos. Janaína já prestou depoimento, e, segundo o delegado, o relato está cercado de contradições. A mulher, que está sendo mantida em um local não divulgado pela polícia, garantiu que pretendia doar o filho. “Por outro lado, temos evidências de um tráfico de crianças, que ainda precisamos confirmar”, conclui o delegado.
Entenda o caso
Suspeita 
Funcionários do Hospital Regional de Betim desconfiaram da mãe da bebê, Janaína Carvalho, porque ela tinha dificuldades de informar seus dados pessoais. Passando-se pela advogada Selena Castiel Gualberto, Janaína chegou a esquecer o nome da “própria” sogra.

Prisão
Desconfiados, os funcionários do hospital comunicaram a Polícia Civil, que prendeu a empresária Eliane Azzi, 37, na última terça-feira, quando ela pressionava os funcionários para liberar a criança e a mãe. No celular da mulher, os policiais encontraram mensagens de texto que seriam de outros integrantes da quadrilha.
Falso
Os documentos apreendidos com Janaína tinham carimbo de Porto Velho (RO) – como título de eleitor, RG e até uma certidão de casamento.

Depoimento
Em depoimento, Janaína admitiu que foi Eliane quem conseguiu os documentos falsos para ela. A mãe afirma ter combinado a doação da criança por não ter condições de criá-la.

Outro caso
Em maio do ano passado, uma mulher foi presa em São Paulo suspeita de integrar um esquema de tráfico internacional de crianças esquematizado no Norte de Minas. Maria José Rodrigues, 53, teria pagado R$ 500 por uma criança.

Fonte : Hoje em dia

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