Como foi o 2º dia de julgamento de ex-PMs acusados de matar tio e sobrinho

Nessa terça, três testemunhas foram ouvidas; não há previsão para divulgação da sentença; crime aconteceu durante uma operação policial em 2011

SerraSERRA
Começou por volta das 8h40 desta quarta-feira (19), o 2º dia de julgamento dos ex-militares acusados pelo duplo homicídio no Aglomerado da Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Os jovens respondem pelos assassinatos de tio e sobrinho, que aconteceram em fevereiro de 2011. Segundo o  Tribunal de Justiça de Minas Gerais, mais 12 testemunhas de defesa devem ser ouvidas. Depois, os réus serão interrogados para, em seguida, começar o debate entre defesa e acusação.

Após essas etapas, o júri vai decidir se os ex-PMs  são culpados ou inocentes.
A defesa de Jonas David Rosa, de 27 anos, e Jason Ferreira Paschoalino, de 28, tentam convencer os jurados, seis homens e uma mulher, que os suspeitos agiram em legítima defesa. Segundo eles,  Renílson Veriano da Silva, 39, e Jeferson Coelho da Silva, 17, tinha envolvimento com o mundo do crime.
A primeira testemunha dessa quarta é o major Eduardo Domingues Barbosa. Ele participou de uma comissão com outros dois militares para analisar o caso. Os policiais ouviram 28 pessoas. Dois votaram contra a expulsão e um votou à favor. Eles consideraram que não haviam provas suficientes para a exclusão dos réus da Polícia Militar.
Segundo a testemunha, o contexto do aglomerado é de poder paralelo, e que há confronto com a PM. "Honestos e cumpridores dos seus horários", disse o militar em defesa dos acusados. Perguntado pelo juiz, o policial confirmou que depois teve conhecimento da condenação de Jason em uma ocorrência militar.
O major considerou difícil que a guarnição tenha ido até a Serra para pegar propina. Isso porque a guarnição era recém-formada e pouco provável que todos tenham concordado com essa atitude. O policial informou ainda que se lembra que a guarnição foi ate o local para realizar levantamentos, os militares não tinham uma ocorrência especifica para atender. 
Durante o processo administrativo, o major apurou que as vítimas tinham ligação com grupos criminosos , porém ele não afirmou que tio e sobrinho integravam esses grupos. Barbosa apurou que no local do crime foram apreendidas duas fardas, uma do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e outra convencional.  Na versão da testemunha,  qualquer pessoa pode comprar uma farda, ou até mesmo mandar fazer.
O major confirmou que duas armas com numeração raspada foram encontradas perto das vitimas, e que ele não acredita que o armamento tenha sido colocado lá para forjar uma cena criminosa. Sobre os protestos que aconteceram na época do crime, na opinião do major, as ações aconteceram a  mando dos traficantes. Inclusive a queima de ônibus.
Após conversar muito tempo com os réus, Quaresma mostrou uma reportagem com a gravação de uma matéria que mostrava uma conversa entre guarnição e o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). O major identificou que é uma guarnição pedindo ajuda para o Copom.
Ao ser indagada pelo promotor, a testemunha disse que Jason havia encomendado fardas pretas porque tinha vontade de servir ao Gate, e por isso, o réu se antecipou e comprou as fardas.
O processo de integração do Gate estava em andamento, mas foi interrompido.
Segunda testemunha
A segunda testemunha deste segundo dia de julgamento é o tenente Clayton José Santana, que estava no comando da Companhia em que os réus trabalhavam no dia do crime. Ele disse que não estava programa a incursão dos militares na Serra, naquela noite, porém, autorizou que a dupla fosse até lá.
O tenente disse não se lembrar do motivo dessa operação e, após o ocorrido, foi até o local do crime e viu duas fardas, uma de cor cáqui e outra preta, além de armas. Em seguida, levou as vítimas para o hospital, dentre elas, um militar. 
A testemunha confirmou que Jason queria ir para o GATE e disse que os dois policiais eram bons profissionais. O tenente também disse que não preservou a cena do crime nem deu o comando para que ela fosse preservada.
Ao ser questionado por Ércio Quaresma sobre as condições psicológicas de Jason, o tenente não soube afirmar se ele era uma pessoa fria. Ele presenciou Jonas sendo socorrido e viu vermelhidão em seu peito. O tenente afirmou nunca ter visto as vítimas antes. 
Fornecedor e olheiro
A terceira testemunha, o tenente da pm Lusergio Basílio Estanislau, em depoimento, disse que ao indagar populares no aglomerado, eles alegavam que Renilson comprava drogas para vender nos Hospitais e que Jeferson era olheiro na favela.
Relembre o 1° dia de julgamento
No 1º dia de julgamento, nessa terça-feira (18), foram ouvidos o policial militar Denilson Veriano da Silva, pai de Jeferson e irmão de Renílson, e mais três testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público de Minas (MPMG). Todos negaram que as vítimas tinham envolvimento com o tráfico de drogas da região.
Por outro lado, os advogados de defesa, entre eles o advogado Ércio Quaresma, levaram para o plenário uma série de fotos em que tio e sobrinho aparecem ao lado de suspeitos de tráfico de drogas.
Quaresma ainda levou armas, dentre elas um fuzil, para o plenário. Ele questionou duas das testemunhas – aquelas que viram o local logo após o crime – qual seria a distância que possibilitaria o reconhecimento das armas. A defesa ainda afirmou que umas das moradoras do aglomerado que depôs tem um filho com o suposto traficante Tigrão e que outra testemunha tem familiares envolvidos com drogas.
Relembre o caso
Na madrugada de 19 de fevereiro, uma incursão policial contra o tráfico de drogas na Vila Marçola, Aglomerado da Serra, terminou com dois mortos, que eram filho e irmão de um policial militar.
Houve um tiroteio entre policiais e suspeitos, deixando um policial ferido e dois suspeitos baleados, que foram socorridos, mas morreram antes mesmo de serem atendidos.
Jason Ferreira Paschoalino já havia sido condenado a 12 anos de prisão  por outro homicídio cometido em julho de 2010, no bairro Nova Suíça. (OtempoOnline)

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