Criminalidade cresce em municípios da Grande BH, inclusive nas menores cidades

Não importa se a cidade é grande ou pequena, Volume de crimes aumenta e deixa a população atemorizada

A pequena Rio Manso tem apenas 5,5 mil habitantes, mas já sofre com o incremento do número de assaltos neste ano  (Cristina Horta/EM/D.A Press)
A pequena Rio Manso tem apenas 5,5 mil habitantes, mas já sofre com o incremento do número de assaltos neste ano

Os crimes violentos contra o patrimônio são a principal preocupação dos moradores e comerciantes da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Dados obtidos pelo Estado de Minas mostram que os índices de roubos registrados pelas polícias Militar e Civil nos dois primeiros meses de 2014 estão crescendo em um ritmo acelerado em comparação com o ano passado.

O aumento da violência é generalizado. Dos 34 municípios da Grande BH, em 24 a média desse tipo de crime em janeiro e fevereiro é superior à de 2013. Em dois (Brumadinho e Esmeraldas), o patamar é o mesmo, e só oito estão abaixo dos percentuais do ano anterior. Há municípios em que o o percentual de roubos cresceu 150%, caso de Capim Branco (veja quadro). Até as menores cidades da RMBH, como Rio Manso, com pouco mais de 5,5 mil habitantes, enfrentam situações de perigo que antes só eram comuns nos municípios maiores, como BH, Betim e Contagem. As autoridades policiais também se mostram preocupadas e buscam iniciativas capazes de reduzir a insegurança.

Em 2013, foram registradas 45.867 ocorrências de roubos na Grande BH, média de 3.823 crimes por mês. Em janeiro e fevereiro, de acordo com os dados oficiais, foram 8.780 ocorrências, média de 4.390 registros mensais, com um incremento de 14% em relação à média do ano anterior.



Em Rio Manso, apesar do baixo número absoluto de ocorrências – foram apenas seis roubos em 2013 – este ano, em dois meses, já são quatro assaltos na cidade, o suficiente para deixar a população assustada. Como todos se conhecem no pequeno município, os comentários a respeito dos roubos se espalham e se tornam assunto obrigatório nas rodas de conversa.

Em janeiro, dois homens armados invadiram um supermercado no Centro de Rio Manso, segunda menor cidade da RMBH. Em 14 anos de funcionamento do estabelecimento, foi a primeira vez que os proprietários passaram pela situação. “Costumava ser raridade esse tipo de coisa aqui em Rio Manso. Hoje, não é mais, as pessoas estão preocupadas. No nosso caso, não houve violência, mas o simples fato deles entrarem armados já nos deixou muito apreensivos”, diz Eduarda Tânia Braga, 23 anos, uma das donas do supermercado.


'Costumava ser raridade esse tipo de coisa aqui em Rio Manso. Hoje não é mais, as pessoas estão preocupadas . No nosso caso não houve violência, mas o simples fato deles entrarem armados já nos deixou muito apreensivos' diz Eduarda Tânia Braga. dono de supermercado  (Cristina Horta/EM/D.A Press)
"Costumava ser raridade esse tipo de coisa aqui em Rio Manso. Hoje não é mais, as pessoas estão preocupadas . No nosso caso não houve violência, mas o simples fato deles entrarem armados já nos deixou muito apreensivos" diz Eduarda Tânia Braga. dono de supermercado

Os outros três roubos em janeiro e fevereiro no município foram em locais mais afastados da sede, nos distritos e na rodovia que liga a cidade à BR-381. Os moradores acham que o contingente policial é insuficiente para afastar os criminosos. São 11 policiais militares no destacamento local, sendo que em cada turno de 12 horas o trabalho operacional fica a cargo de apenas dois.

O sargento Rafael Silva Barros, que comanda a unidade, diz que a ausência de sinal de celular na rodovia é um problema, já que a vítima fica sem condição de pedir socorro quando é assaltada na estrada. “Assumi o comando em 17 de fevereiro e já fizemos uma audiência pública com a população para discutir a viiolência. Temos tentado dar atenção especial à entrada da cidade, para tentar resolver o problema da rodovia mais vulnerável”, diz o sargento.

Uma das donas de um depósito de materiais de construção em Rio Manso, Marcela Morais Parreiras, de 27, conta que a casa onde mora com a família já foi invadida cinco vezes, sendo quatro furtos, o último em fevereiro, e um roubo, há cerca de três anos. “Muitas pessoas de fora estão chegando, e isso é complicado. Todo dia aparece um aqui no depósito contando algum crime”, diz ela.

SENSAÇÃO HORRÍVEL Nas maiores cidades, caso de Betim, terceiro município mais populoso da Grande BH, com 406.474 moradores, o volume de assaltos é muito grande e o crescimento das estatísticas é uma realidade. Em 2013, o número de crimes violentos contra o patrimônio registrados no município foi de 3.633, média de 303 ocorrências por mês. Em janeiro e fevereiro, o número total de ocorrências foi de 662, média de 331 crimes a cada mês, incremento de 9,24%. Na Avenida Amazonas, Centro do município, é fácil encontrar comerciantes que já passaram por momentos de terror na mão de assaltantes. Em outubro, a funcionária de uma loja de bijuterias Gislaene Miranda, de 26, ficou sob a mira de uma arma. “Duas meninas entraram mais cedo e depois saíram. No fechamento, por volta de 18h30, elas voltaram, sendo uma com a mochila aberta mostrando a arma. Levaram R$ 1,3 mil do caixa”, diz a vendedora. Mesmo com a prisão das duas, que portavam uma arma de brinquedo, o susto com as ameaças e com a situação foi tão grande que ela precisou de ajuda para ir embora. “Meu marido teve que me buscar. Nunca tinha passado por uma sensação tão horrível”, diz ela.

As ocorrências frequentes de roubo no Centro de Betim motivaram um convênio entre Polícia Militar e lojistas. Cinquenta e nove lojas possuem um controle que, se acionado, faz contato com a central da PM. “Em menos de cinco minutos eles estão na porta”, diz Gislaene. Quem também tem o controle é uma loja de roupas na Rua Coronel José Félix, onde trabalha a funcionária Helena Souza, de 19. Ela foi surpreendida por um assaltante no início do ano e achou que ia morrer. “Ele chegou na maior tranquilidade e, armado, anunciou o assalto. Falou que queria só dinheiro e me xingou de todos os nomes”, afirma Helena.

A funcionária imaginou que seria morta quando tentou esconder a informação sobre a quantia que estava na máquina registradora. “Ele me perguntou se tinha mais na parte de trás da loja e falei que não, mas uma colega que estava perto deu a entender que sim. Ele nos levou até o fundo para roubar mais”, afirma. O prejuízo superou R$ 1 mil, mas o pior foi o susto. “Chorei demais quando lembrei que pus minha vida em risco”, completa.

PERIGO EM ALTA

Média mensal do crescimento do número de roubos na RMBH (2013/2014)

Belo Horizonte 12.9%
Contagem 21% 
Betim 9.2%
Ribeirão das Neves 2.38%
Santa Luzia 12.5%
Sabará 51.51%
Vespasiano 9. 37%
Ibirité 10.34%
Nova Lima 25%
Igarapé 41.17%
Juatuba 11.53%
São Joaquim de Bicas 60.86%
Mateus Leme 90.47%
Matozinhos 47.61%
Caeté 57.14%
Sarzedo 110%
Itatiaiuçu 100% 
Itaguara 78.57% 
Mário Campos 78.57%
Capim Branco 150%
Baldim 100%
Florestal 100%
Rio Manso 300%
Rio Acima 100%
Cidades onde o percentual de roubos diminuiu
Pedro Leopoldo -12.5%
Lagoa Santa -14.7%
São José da Lapa -44.5%
Raposos -83.4%
Confins -23.1%
Jaboticatubas -27%
Taquaraçu de Minas -16.7%
Nova União *

* Não foram registrados roubos nos 2 primeiros meses de 2014 em Nova União. Em 2013, foram 8 ocorrências.

Fonte: Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds)

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